Ethereum (ETH)
Ficha de Janeiro de 2022, como saiu na altura. Os números abaixo são desse mês e nunca foram actualizados: a valorização e o ranking de hoje são outros.
- Tipo de Moeda: Blockchain Proof of Work
- Valorização este ano: 540%
- Ideia Chave: Plataforma de Smart Contracts
- Ranking de Valor: 2
Ethereum é o maior concorrente de Bitcoin ao ter introduzido ao mundo o conceito de Smart-contracts, a possibilidade de usar um blockchain para fazer de forma automatizada transações complexas que vão além de enviar moedas de um endereço para outro. Se essa utilidade faz do Ether uma reserva de valor é discutido em Parvoíces da Goldman Sachs.
De longe a plataforma Defi mais popular, tem à volta um gigante ecossistema de serviços e aplicações que tornam o Ethereum não só incontornável como de alguma forma um alvo a abater, sendo o projeto Crypto mais visado por todas as novidades.
Para se defender de toda a concorrência, o Ethereum está a introduzir o Eth2.0 alterando todo o blockchain para o sistema de Proof-of-stake, que poderá restabelecer de novo o Ethereum como a solução mais avançada.
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A Ethereum como plataforma, não apenas como moeda
A diferença de fundo entre a Ethereum e o Bitcoin não está na moeda, está no que a rede consegue executar. O Bitcoin foi desenhado para fazer uma coisa com enorme robustez: transferir e guardar valor. A Ethereum acrescentou uma máquina de execução — a Máquina Virtual da Ethereum, ou EVM — que corre programas depositados na própria cadeia, os contratos inteligentes. Um contrato inteligente é código que se executa sozinho quando as condições que descreve se verificam, e cujo resultado fica registado de forma pública e verificável.
É daí que sai quase tudo o que se convencionou chamar criptoeconomia aplicada: as stablecoins emitidas como tokens, os protocolos de finanças descentralizadas, os NFT e as organizações geridas por regras escritas em código. As normas técnicas que tornaram isto interoperável — ERC-20 para tokens fungíveis, ERC-721 para os não fungíveis — nasceram nesta rede e foram depois adotadas por muitas outras.
Da mineração à participação: o que mudou
Durante os primeiros anos, a Ethereum validava blocos por prova de trabalho, como o Bitcoin. Em setembro de 2022, numa alteração conhecida como The Merge, passou a prova de participação: deixou de haver mineradores e passou a haver validadores, que imobilizam ETH como garantia e são penalizados se agirem contra as regras. A consequência mais citada foi a redução drástica do consumo energético da rede; a menos citada, mas igualmente importante, foi a mudança do perfil de quem assegura a segurança da cadeia.
Outra alteração estrutural veio antes, em 2021, com a introdução de uma comissão base que é destruída em cada transação em vez de ser paga ao produtor do bloco. Combinada com a emissão reduzida do modelo de participação, essa destruição faz com que a oferta de ETH possa encolher em períodos de utilização intensa e crescer em períodos de utilização baixa. Ao contrário do Bitcoin, a Ethereum não tem um limite máximo de emissão inscrito no protocolo: tem um saldo entre emissão e destruição que depende do uso.
Comissões, camadas dois e o que observar
Todas as operações na Ethereum pagam gas, uma medida do esforço computacional exigido à rede, liquidado em ETH. Como o espaço em cada bloco é limitado, o custo sobe quando a procura sobe. A resposta da rede a esse limite foi construir camadas adicionais — as chamadas soluções de camada dois — que agregam muitas operações fora da cadeia principal e depois registam nela apenas a prova do conjunto. Quem usa a rede deve saber em que camada está a operar, porque as garantias de segurança e os custos não são os mesmos.
Do lado dos riscos: os contratos inteligentes são código e o código tem defeitos, com historial documentado de perdas por falhas de programação em protocolos construídos sobre a rede. Acresce o risco de mercado — os criptoativos são voláteis e podem desvalorizar de forma acentuada — e o risco regulatório, hoje enquadrado na União Europeia pelo regulamento MiCA. Nada no passado de um ativo permite antecipar o seu futuro.
Continuar a ler
- O que é um token — a norma que a Ethereum tornou universal.
- Ethereum Classic (ETC) — a cadeia que resultou da divergência de 2016.
- Carteiras de criptomoedas — como se guardam as chaves que dão acesso a estes ativos.