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Com 10 000 € no banco, num exemplo com um depósito novo a um ano à taxa média de agosto, o saldo chega ao fim do prazo nos 10 117,36 € depois do imposto. Se os preços subirem 3,6 % nesse tempo, para comprar o mesmo são precisos 10 360 €.

O saldo cresce, e o que ele compra fica um pouco aquém. A conta faz-se em três passos, com números públicos do Banco de Portugal e do INE. Cada número leva a fonte e o mês, para a poderes refazer com os teus valores.

O ponto de partida é a taxa média de agosto

Numa nota de 1 de outubro, o Banco de Portugal indica que a taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares foi de 1,63 % em agosto de 2026. Na zona euro, a mesma média ficou nos 2,18 %.

Este número é a média dos depósitos novos de particulares em Portugal. Cada banco pratica a sua taxa, e a do teu depósito está nas condições que assinaste.

Aplicada a 10 000 €, a taxa de 1,63 % dá 163 € de juro bruto ao fim de um ano. É o valor antes de impostos, e ainda falta um passo até chegar à conta.

O imposto fica com uma parte do juro

Os juros de depósitos pagam uma taxa liberatória de 28 %, prevista no artigo 71.º do Código do IRS. O banco retém esse imposto quando paga o juro, por isso a conta já recebe o valor líquido.

Depois da retenção de 28 %, dos 163 € ficam 117,36 €. O saldo passa de 10 000 € para 10 117,36 €.

Em percentagem do capital, 117,36 € em 10 000 € dão um juro líquido de 1,17 %. É este o número que interessa pôr ao lado dos preços.

Os preços sobem ao mesmo tempo que o saldo

O INE indica que a inflação em Portugal foi de 3,6 % em setembro de 2026. É uma taxa homóloga: compara os preços de setembro com os de setembro do ano anterior.

O mesmo destaque do INE, de 13 de outubro, mostra uma média de 2,8 % nos últimos 12 meses.

Nesta conta, os 3,6 % entram como hipótese para os 12 meses seguintes. Ninguém conhece ainda a inflação do próximo ano, e o exemplo usa o último valor publicado.

Com os preços a subir 3,6 %, o que hoje custa 10 000 € passa a custar 10 360 €. Do teu lado tens 10 117,36 €. Com esse saldo, o que compras fica um pouco aquém do que hoje compras com os 10 000 €.

Passo da conta Valor
Capital no início 10 000 €
Juro bruto à taxa média de 1,63 % 163 €
Juro depois da retenção de 28 % 117,36 €
Saldo ao fim de um ano 10 117,36 €
Para comprar o mesmo com preços a subir 3,6 % 10 360 €

A diferença entre juro nominal e juro real

Há dois juros a separar. O juro nominal é a taxa que o banco anuncia. O juro real é o que fica depois de descontada a subida dos preços.

O juro nominal conta euros. O juro real conta o que esses euros compram. Juntando o imposto a esta distinção, o juro que conta é o que fica depois da retenção e da inflação.

A fórmula simples é juro líquido menos inflação. Com os números deste exemplo, o juro líquido de 1,17 % fica cerca de 2,4 pontos abaixo da inflação de 3,6 %.

É uma aproximação, e para taxas desta ordem chega bem. A calculadora do telemóvel resolve o resto.

Os números estão publicados e indicam o mês

O Banco de Portugal publica a taxa média dos novos depósitos no BPstat, o portal de estatísticas do banco. O INE publica a inflação num destaque mensal sobre o índice de preços no consumidor. Os dois indicam o mês a que cada valor se refere.

O mês conta porque as taxas mudam. A taxa de agosto e a inflação de setembro ficam lado a lado nesta conta porque são os últimos valores publicados de cada série.

O que estes números mudam na leitura do teu extrato

O extrato do banco mostra o saldo em euros. A pergunta útil é outra: o que esse saldo compra daqui a um ano.

Quando o juro líquido fica abaixo da inflação, o saldo sobe e compra um pouco menos. Quando fica acima, o saldo sobe e compra um pouco mais. Com valores iguais, o que o saldo compra fica igual.

A conta não diz se um depósito serve ou não serve: mostra o que acontece aos 10 000 € com estes números. A decisão sobre onde guardar a poupança fica contigo, com o teu prazo e com o que precisas de ter à mão.

Com outra taxa, outro saldo ou outra inflação, o resultado muda. Os passos ficam os mesmos: juro bruto, imposto, saldo e preços.

Faz a conta com o teu saldo e a tua taxa.

Outro assunto, à parte desta conta:

Aforro Digital, emissão AFD05: taxa estimada de até 15,85 % ao ano, com rendimento em reais. Entras a partir de 50 €. O fim previsto é a 23-10-2028.

O Aforro Digital não se compara com a conta acima; o rendimento é em reais, a moeda do Brasil, e acompanha o câmbio.

Os detalhes da emissão estão na página do Aforro Digital.

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