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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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1 de Fevereiro de 2023 foi um dia especial. Não porque tenha tido alguma relevância astronómica. Trata-se de um dia aparentemente igual a todos os outros, mas na verdade é único, irrepetível. Isto por conta das coisas no espaço andarem como vão.

Vejamos: Um dia consta do tempo que a terra demora a dar volta sobre si própria. Um ano, o tempo que a terra demora a dar a volta ao Sol, dura quase exatamente 365.2425 dias, número que não dá jeito nenhum. Pior são os meses, pois a lua demora 27.321662 dias à volta à terra, enquanto as fases da lua duram 29.530589 dias a completar. Isto sem contar com os movimentos precessionais, o afastamento da lua ou aceleração da Terra. Toda uma irreconciliável complicação.

Tudo combinado, cada dia é diferente de todos os outros dias e nunca faz exatamente xis anos sobre outro dia igual. Com o tempo dá-se conta que aquilo que chamamos de calendário não é bem um mapa espacial com implicações astrológicas, como gostamos de o imaginar, mas uma simplificação grosseira e frágil, para fins nada esotéricos.

Ora, se o calendário é apenas uma simplificação, porque é que haveria de ser tão complicado? 24 horas de 60 minutos, 7 dias numa semana, 28-30/31 dias no mês, 365 dias mais um a cada quase todos os quatro anos. Uma enorme salganhada não muito prática, que ainda anda há milhares de anos a ficar é pior.

No princípio, o calendário Babilónio era até bastante certinho. Com dias de 24 horas, semanas de 6 dias, 5 semanas por mês, 12 meses por ano e para envelopar no final, um festival anual de 5 a 6 dias. Com a invenção do descanso semanal (o Sabbath, não o Domingo), mais a tentativa romana de juntar os meses lunares dos gregos (28 dias e não 30, sem criar o 13º mês), junto com as mais de 20 correções que se seguiram, chegamos enfim ao nosso calendário actual, o Gregoriano. 

Este calendário agora globalmente adoptado, está mais ou menos estável desde 1582, isto se não contarmos com a introdução dos fusos horários no final do século XIX ou o absurdo keynesiano com que um falsário australiano convenceu governos em guerra a antecipar o relógio uma hora no Verão, como se os dias por isso ficassem maiores.

O que o actual calendário tem de complicado, irracional, pouco prático ou mesmo disparatado, mais do que compensa ao ser generalizado ou entranhado. É que, bem vistas as coisas, essa é de todas a maior qualidade de um protocolo de comunicação, ser entendido ou aceite. Se alguma coisa toda esta breve história dos dias e meses do ano demonstra, é que um padrão não precisa de ser melhorado para ficar melhor, basta ser utilizado.

Por exemplo, o Bitcoin é, em parte, um calendário. A cada 10 minutos sai um bloco, onde se finalizam cerca de 1500 operações e criam novos bitcoins, a um ritmo que se divide por metade a cada 4 anos, até se esgotarem, lá para o ano gregoriano de 2134.

Ao longo do pouco tempo que decorreu desde o seu arranque, não faltaram tentativas de melhorar este calendário ou Blockchain, criando novas versões, variações e iniciando infindáveis debates sobre qual será de todas a melhor divisão do tempo. Todas as criptomoedas são tentativas de lançar um novo calendário, com novas regras, aparentemente vantajosas em relação ao Bitcoin. O tamanho e duração dos blocos, a quantidade de novas moedas, o algoritmo de validação, podem ser infinitamente debatidos e alterados e tem sido dessas ideias que a indústria das criptomoedas se tem ocupado.

E não é por acaso. Porque o Blockchain, a tecnologia que suporta todas as criptomoedas, a invenção de Satoshi Nakamoto, ocupa-se antes de mais é em contar o tempo. Para evitar o double-spend de moedas, para garantir o que veio primeiro, não a galinha ou o ovo, mas qual a transação mais antiga e assim evitar que algum bandalho volte a gastar o que tinha já gasto.

O Bitcoin é então mais do que dinheiro digital, mais do que a inovação tecnológica do Blockchain, é uma Timechain. O Bitcoin é um calendário, universal e inviolável, que pela primeira vez na História, marca o passar do tempo, sem depender de erros de medição feitos por contabilistas curiosos, nem dos egos insuflados de Imperadores, muito menos das memórias falsas dos historiadores. 

A cada bloco que passa ficam registados para a posteridade mais até 4mb de dados que não podem nunca mais ser negados. Pode parecer pouca coisa, mas é apenas a primeira vez na história que o ser humano tem forma de comprovar o passar do tempo. As implicações práticas para o futuro são difíceis de exagerar.

Nota Complementar:

A 1 de Fev. 2023, o troll Taproot Wizards registou a maior transação, no maior bloco, de Bitcoin, grafitando, para sempre, no Timechain, uma imagem (NFT) de gosto para lá de duvidoso. 

O debate sobre os limites de utilização do Bitcoin, agora como cápsula do tempo, está relançado, daqui a aproximadamente 10 anos estaremos a recolher os frutos desta ousadia, que para já vale pela subida expressiva do preço do Bitcoin

Maior inscrição do Timechain Bitcoin datada de 1 de Fevereiro 2023

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Henrique Agostinho

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