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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Imagine que o seu vizinho pode decretar que vai ter dinheiro na conta, para gastar no que lhe apetece. E que esse dinheiro que o seu vizinho gastou, lhe será retirado a si ou, quanto muito, mais tarde, ao seu filho.

Imagine também que o seu vizinho não abdica de confortos, de ter aumentos, fazer greve, ficar em casa a confinar, nunca ser despedido, receber bónus, coisas assim. Fazendo de conta que o dinheiro que ele recebe não lhe é tirado a si, que não só não tem nenhum desses luxos, como ainda por cima tem de trabalhar, para receber quase nada.

Imagine então que, se houver uma reunião do condomínio, o seu vizinho não se coíbe de declarar que quer fazer grandes obras, comprar maravilhas, tipo um novo aeroporto ou um mais um elevador. Isto alegando que todos pagam o condomínio por igual, o que obviamente não é verdade, pois o dinheiro dele, é você que o paga.

E não se fique por aqui, imagine o seu vizinho a ter acesso a serviços especiais, tipo lugar na garagem, ou ADSE e ainda para mais consegue mexer-se, para fazer projectos por fora, com aprovação rápida pela câmara ou subsídios da Europa.

Acha justo? Claro que não. E vai daí, sempre que vê o seu vizinho a fazer barulhentas festas rua acima e rua abaixo, a reclamar por ainda mais dinheiro para ele ou, como ele diz, para o condomínio, tudo coisas que você vai pagar, até lhe sobe a mostarda ao nariz.

No entanto, apesar das evidentes razões para indignação, não falta quem se tenha resignado a um Estado das coisas, que é tal e qual como o condomínio imaginário antes descrito, mesmo não fazendo eles parte dos privilegiados. Talvez porque, sabe-se lá como, não lhes ocorra um sistema melhor, ou, mais irrealista ainda, porque têm esperança de vir a trocar de lugar com o tal vizinho e passarem também a receber do que outros pagam.

O certo é que o sistema está implementado e interiorizado por todo o lado e excepto quando não é traduzido por miúdos, como o exemplo do condomínio atrás,  já ninguém parece se arreliar com um aparato fiscal injusto de tantas formas. Pois que, tal como aquele condomínio imaginário, os impostos realisticamente:

São desiguais. Para alguém pagar, outro tem de receber, todos os impostos pagos, são recebidos por outra pessoa. Isso é incontornável, é matemática. Como tal, são profundamente desiguais. Não há forma justa e equilibrada de obrigar uma pessoa a abdicar do que é seu, para o dar a outra pessoa, a quem não quer pagar, mas é obrigado. 

São altos. Quanto mais alto, pior, claro. Se os impostos são obrigatórios e ninguém paga mais do que é obrigado, é porque são altos, demasiado altos. Claro que quem recebe acha que são baixos, que queria receber mais. Mas, contra-intuitivamente, quanto mais altos os impostos, pior para toda a gente, que ficam todos mais pobres, especialmente os que pagam, claro, mas, na verdade, até os que recebem perdem, por efeito da desmoralização do trabalho dos que pagam.

São concentrados. A coisa ainda pode ser pior. Pode haver uns a receber mais do que outros que recebem menos. Uma das perversidades do sistema, é que o estrago será tanto pior quanto mais houver oportunidade para receber mais, em vez de receber igual. É muito mais desmoralizador ter uma casta de funcionários superiores, agentes políticos e amigos do regime a receberem especialmente mais, do que distribuir o mesmo valor por essa gente, cada um com um tanto igual. Receberem uns mais do que outros é mais daninho, pois é um incentivo para haver esquemas para sacar.

São degenerativos. Quanto mais desperdício, mais será preciso pagar e mais haverá para receber. Se algo é bem feito, paga-se uma vez. Se for mal feito, paga-se três vezes. Para fazer mal, uma, para identificar e avaliar o erro, duas, e ainda outra vez mais, três, para corrigir o erro. Como tal, a tendência é fazer mal, não há vantagem em fazer bem feito, que é trabalhoso e se recebe menos.

São instáveis. Regulações, Taxas, Impostos, Dívida, Inflação, vai tudo dar ao mesmo é tirar a um para dar a outro. No entanto, a complexidade é sempre crescente. Os detalhes, não param de ser alterados, ajustados, emendados. De cada vez que um imposto ou equivalente é mexido, mesmo que não afete o montante total, sempre obriga as pessoas que os pagam a suportar um custo extra, para se adaptar às tais mudanças, o que torna o estrago ainda mais caro. 

São crescentes. Como se todos os problemas já listados não fossem suficientes, ainda sobra mais um. Não há forma da carga diminuir. Nunca aconteceu, nem poderia acontecer. Tal como para alguém pagar é porque outro recebe, também há o inverso, se alguém recebe, algum outro vai pagar. Todos os gastos resultam então em cada vez maiores cobranças, é incontornável. 

Voltando ao condomínio, se o lugar a receber ocupasse apenas de 1 em cada 10 habitantes, era desagradável, mas aguentava-se. A maioria do tempo dos outros ainda podia ser ocupado a cuidar de coisas que fossem mais importantes, como trabalhar e criar alguma coisa boa para vender à vizinhança. 

Mas como se vai sempre por aí acima, os que recebem vão de 1 para 10, para serem 1 em cada 5 ou até 1 em cada 3, como é o Estado atual de Portugal. Chegamos então a um estado das coisas eminentemente insustentável, à beira do colapso, que não pode se aguentar nem mais 10 anos, quanto mais 50, que é o tanto que as pessoas estão a contar para aproveitarem as suas inexistentes reformas.

Uma vez chegado ao colapso, que é bem onde já está a Venezuela ou a Argentina, onde chegou a União Soviética em 1989, e para onde inevitavelmente se encaminha boa parte da Europa, o dinheiro deixa de valer. Bolívares ou Rublos Soviéticos, tiveram o destino inevitável de quando há mais gente a receber do que quem lhes paga pode sustentar. Sem ajuda externa, o Escudo já teria arrebentado, e o Euro vai pelo mesmo caminho, sem volta para trás. O colapso é tão inevitável, que mesmo os que recebem do condomínio, devem cuidar de guardar algum Bitcoin.

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Henrique Agostinho