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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Quase tudo no Estado falha, com duas notáveis exceções: Uma são os burocratas, os empurradores de papeladas, que não falham, porque não servem para mais; Outra são os salários. Por mais que tudo o resto falhe, funciona mal, não existam meios, seja mal planeado. Os salários dos funcionários são sempre pagos, até à morte.

Não é por acaso, é antes a demonstração das prioridades. Se falha em quase tudo menos no que não falha, é porque, na verdade, só esse detalhe é que conta e tudo o resto é secundário. Anos, décadas deste imutável padrão deixam, enfim, claro que o objectivo do Estado é tão só assegurar os seus salários. 

Salários só para alguns, claro, que é matematicamente impossível pagar a todos. Para alguém receber outro tem de o pagar. O Estado é por isso uma casta de pessoas com um rendimento garantido pelos impostos dos outros. Mas tem mais, o custo real vai ainda mais além da massa salarial dos funcionários. Em cima de todos os salários pagos pelo Estado, que representam uma barbaridade de dinheiro e a quase totalidade do orçamento do Estado, há o preço de serem custo fixo. O Preço do Risco.

A maior transformação económica do séc. XX terá sido a transformação da maioria da população em recebedores de salário fixo ou garantido. Há pouco mais de 100 anos era insignificante a percentagem de pessoas que tinham o seu rendimento fixado e assegurado. Quase toda a gente trabalhava, à jorna, era subcontratado, precário, liberal, suportavam o próprio risco de ficar sem rendimentos.

O medo desse risco, medo de perder rendimentos, deu origem a um movimento de massas, de transformação dos trabalhadores em assalariados, com direitos assegurados e, dentre eles, ninguém mais assegurado do que os funcionários do Estado. Passado um século, é raro, quase inexistente, aquela pessoa que não tem um salário fixo, regular, sem risco. Se não for do Estado, pelo menos no privado. O que tem um preço e que ninguém está disposto a pagar.

É da natureza do risco que este não se pode eliminar. Para retirar risco, este tem de ser transferido e acomodado noutro lado, com um custo extra. Pior, quanto mais se move o risco, maior fica o próprio risco. Ou seja, não só o risco não pode ser eliminado, quanto a tentativa de o evitar, faz o risco ficar maior, nem que seja porque foi ocultado.

Outra característica do risco é que não é nada fácil ver onde ele está ou o quanto vale. Enquanto o pior não se manifestar é quase como se o risco não existisse. Portanto, sempre que o risco é transferido está a ser ocultado, além de ser aumentado. E isto assim multiplicado, por cada uma dos milhões de pessoas que agora têm o seu salário fixo, garantido.

Para piorar ainda o cenário, como se já não bastasse, esta fuga em manada do risco é desacompanhada da consequência inevitável de não se ter risco, que é, não haver aumentos. Quando um rendimento é fixado, sem risco, este não pode aumentar. Está fixado. No entanto, nenhuma pessoa que escolheu ficar sem o risco, aceitou ficar sem o prémio e, como tal, os salários continuaram a aumentar, empurrando mais uma imensidão de perigos para debaixo do tapete.

Ora, se o risco não se pode evitar, alguma coisa se vai passar, e quando o risco é muito elevado, maior é probabilidade de estar mesmo para arrebentar. Bastará um pequeno percalço, desde que bem apontado ao coração do monstro, lá onde todo aquele risco dos salários está concentrado. Coisa que, uma vez aqui chegados, até convém esclarecer, mas não sem antes fazer notar que, é por estas e por outras, que o mercado das criptomoedas é bem menos arriscado do que se possa pensar. 

É sabido que nas criptomoedas existe muita falcatrua, quase toda sobre a forma de rendimentos explosivos, altamente arriscados, em que o buraco foi escamoteado por informações falsas. Por exemplo, a corretora FTX mentiu aos seus clientes e com isso roubou-lhes o dinheiro. 

Só que agora, uma vez revelado, esse risco está ultrapassado, já foi pago. Doeu sim senhor e não foi pouco. Talvez existam até outros casos equivalentes ainda por desmascarar. Mas de modo geral, depois das quedas de 80% e mais nas criptomoedas, bem que se pode estimar que o risco das criptos foi pago, ou seja, eliminado. Já o risco dos salários, não é bem esse o caso.

O risco correspondente ao rendimento fixo de todos os funcionários, pensionistas e assalariados, que primeiro fixaram o salário e depois ainda o aumentaram, está apoiado, concentrado, num único ponto de falência: o governo, a dívida pública, o sistema bancário central, a moeda fiduciária. Não há nenhuma folga, nenhuma redundância, nenhuma rede. É um elefante apoiado numa bolha de sabão.

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Henrique Agostinho

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