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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Uma das condições principais, talvez de todas a mais importante, para alguma coisa ser chamada, com propriedade, de dinheiro é as pessoas que o usam acreditarem que é dinheiro. Precisando que a parte de usar não é especialmente importante, porque o dinheiro usa-se tanto gastando como não gastando, como tal, o que importa mesmo, monetariamente, é o acreditar.

Acreditam então nessa coisa, e que a vão usar como dinheiro, ou seja, acreditam que uma outra pessoa vai aceitar essa tal coisa como pagamento. E assim, acreditam que não estão sozinhos nessa ilusão. É portanto um tipo de alucinação coletiva. Há uma coisa, uma pedra amarela, ou um papel colorido, uma concha, em que, sem nenhuma razão especial, toda a gente numa determinada região desata a acreditar. Acreditam que é dinheiro e acreditam que outros vão aceitar como pagamento, que é a mesma coisa.

Talvez só assim, por efeito de uma grande alucinação colectiva, agravada por viverem como selvagens isolados, lá no fim do mundo, que se explica que os indígenas da terra do fogo, bem na ponta sul da América, considerassem por dinheiro as cascas vazias de caranguejos. Para eles era dinheiro, quando para nós, aquilo, as tais cascas de caranguejo, parecia apenas lixo, e mal-cheiroso. 

Por outro lado, se pensarmos bem no caso, se há algo que deveria ser considerado lixo, tóxico de fedorento, mas é tratado como dinheiro e do bom, não seriam as cascas do delicioso marisco, que vale o seu peso em ouro, mas sim aquelas coisas que a nossa sociedade moderna convencionou de chamar moeda FIAT. O dinheiro dos Governos. O dólar, euro, patacas e que mais, isso sim, tem um valor tão residual quanto a honestidade dos políticos que o sustenta. Ainda assim, não falta quem pareça acreditar naquilo, e enquanto assim for, enquanto alguns acreditarem que é dinheiro, é dinheiro, mesmo não sendo.

O dinheiro é uma construção social e um meio de destruição socialista, mais ou menos, chamar de destruição política seria o mais correto, mas não rimava. A parte de ser uma construção social, significa que é dinheiro aquilo que um grupo de pessoas, razoavelmente heterogénea e independentes entre si, considera dinheiro e tem por isso expectativa, acredita, que outra pessoa irá aceitar como pagamento, mesmo que não o conheça, não confie na sua palavra ou não lhe deva nada.

Já a destruição do tipo socialista, ou social-democrata, política, ou como se quiser chamar, significa que os governos modernos, ditos dessas correntes políticas, arruinaram todas as outras características que fazem um dinheiro eficaz. A saber, a quantidade limitada (não imprimir até ao infinito) e a imutabilidade das regras (não decretar que agora não vale quando antes valia) e finalidade da propriedade (não decidir que há um novo dono sem a participação do antigo). Sem essas qualidades, as moedas fiat, dos governos, dependem apenas da fé, da crença, infundada, que os políticos não irão rapinar os frutos do trabalho aos legítimos proprietários, para gastar o saque em porcarias que ninguém quer pagar. Azar. Foi exatamente o que aconteceu.

O dinheiro fiat, as moedas do governo ainda, apesar de já não terem nenhuma das qualidades extra (da quantidade limitada, da imutabilidade e de ser inapropriável), são como dinheiro, por via da cobrança de impostos, segundo a qual, todos temos confiança que alguém vai aceitar como meio de pagamento. O que não é bem acreditar, não é uma convicção, pois que ninguém paga impostos voluntariamente, tem de ser obrigados a pagar, portanto não se pode dizer que acreditam de verdade naquilo como sendo dinheiro.

Se as pessoas, como é no caso do dinheiro dos governos, acreditam apenas se lhes pagam, mas se pagam é forçadas,  se forem obrigadas a acreditar, é porque têm fé muito pouco crente, nada piedosa e, como tal, não se pode bem dizer que as pessoas acreditam no dinheiro dos governos. É que, um bom sinal de crença é quando esta se aplica ao próprio dinheiro. 

Exemplo, as pessoas acreditam no Benfica, a sério, tudo o que não acreditam no Estado. Milhares, milhões até, de pessoas dão o seu dinheiro livremente para verem o seu clube prosperar. Não precisavam de o fazer, ninguém é obrigado a ser sócio de um clube, ou comprar uma camisola da bola estupidamente cara. Fazem-no porque acreditam, de verdade, na instituição e acreditam porque dão o próprio dinheiro. 

Já no Estado ninguém acredita, ninguém paga ao Estado um centavo a mais do que é obrigado, e sempre sob ameaça de porrada, multas e taxas. Além de que, todas as pessoas que se dizem adeptas do funcionamento do Estado, vai se a ver, e não são elas os que pagam, mas sim os que recebem. Ora, enquanto os restos do marisco podem ser dinheiro, desde que as pessoas assim acreditem, acreditam que vão usar livremente para fazer um pagamento. O dinheiro dos governos, pelo contrário, as pessoas, as que dizem acreditar, é no que vão receber ou que vão obrigar outros a pagar. Ser baseado nos impostos faz a moeda dos governos ser na verdade o oposto de dinheiro de verdade, é dinheiro negativo, é, numa palavra, dívida. 

Eis o facto assim demonstrado que o dinheiro dos governos, as moedas fiat, euros, meticais e tal, são o oposto negativo do dinheiro, são dívida em vez de crédito, são uma destruição de motivação política, em vez de uma construção social, é algo que as pessoas esperam receber em vez de acreditar que podem pagar. Resulta, inescapavelmente, que, quanto mais disso há, mais as pessoas serão pobres. Pois cada vez que o governo cria e gasta esse excremento do diabo que são as moedas fiat, dinheiro negativo, estão é a acumular dívidas para as crianças pagarem.

Para quem tem dúvidas desta inversão, pense se acha que os salários estão altos, ou se as casas baratas, as prestações do crédito razoável, ou se ir jantar fora é um luxo acessível, ou se está descansado com o montante da reforma, ou até se consegue poupar. Todas essas dificuldades, toda a degradação económica, que em Portugal se tornaram super evidentes de 1998 para cá, tem um só responsável, o Estado e, inseparáveis, todas as pessoas que recebem dinheiro do Estado, numa armadilha autofágica.

Se a situação está difícil, se receber do Estado é simultaneamente a única forma de evitar as consequências do Estado gastar demais e também a causa do Estado gastar demais. Parece não haver esperança. Quanto mais demais o Estado gasta, pior fica quem paga, mais gente passa a receber e mais o Estado gasta, lixando quem paga etc e por aí vai, num ciclo vicioso imparável. Até que pára.

O gasto explosivo do Estado, a proliferação de mais e mais gente a receber, só vai parar quando não houver mais o que cobrar, quando não houver mais ninguém a pagar. E isso já não tarda. Por uma simples razão. Porque já toda a gente entendeu a marosca. E está tudo mortinho por saltar fora. 

Relembrando então aquilo de acreditar, de ser dinheiro o que as pessoas acreditam ser dinheiro. Pois bem, está claro que ninguém acredita de verdade no dinheiro do Estado, apenas o aceitam enquanto puderem de lá sacar alguma vantagem, estiverem a receber e não a pagar e, no fundo, todos sabem que essa vantagem é insustentável. Ora, a cada dia que passa mais e mais pessoas tomam consciência desta falsa fé e, vai daí, procuram uma salvação. 

É também cada vez mais evidente que a única coisa parecida com uma solução, com dinheiro de verdade, é o Bitcoin e, portanto, as pessoas antes desconfiadas e agora descrentes, vão se juntando ao grupo dos que já acreditavam no código de Satoshi.  Com cada nova pessoa que passa a acreditar, aumenta o valor monetário associado. 

Em resumo, é uma profecia auto-realizável. Bitcoin será dinheiro para quem acreditar e quanto mais gente se desacredita do Estado, mais o Bitcoin será a alternativa a considerar. Esta constatação, já há muito tempo atingiu os Bilionários, gente que percebe a potes de dinheiro e, como tal, estão carregados de Bitcoin, desde que se comprava por apenas centavos. Agora serão as pessoas comuns a acordar, infelizmente, para a sorte delas, um pouco tarde, mas ainda bem a tempo de se salvarem. Pois quanto mais pessoas acreditarem, mais o Bitcoin será dinheiro e mais gente irá ser convencida e passar acreditar, reforçando o efeito, num ciclo virtuoso, uma profecia auto-realizável.

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Henrique Agostinho