img:Bitcoin
Bitcoin - BTC
€ 57.925,71 -0.33%
img:Ethereum
Ethereum - ETH
€ 3.195,54 0.03%
img:Chiliz
Chiliz - CHZ
€ 0.148249831338 -0.67%
img:XRP
XRP - XRP
€ 0.597979430552 8.13%
img:Shiba Inu
Shiba Inu - SHIB
€ 2,09 71.97%
img:USD Coin
USD Coin - USDC
€ 0.933779958552 0.28%
img:Cardano
Cardano - ADA
€ 0.696039806 8.53%
img:ApeCoin
ApeCoin - APE
€ 2,24 25.57%
img:Solana
Solana - SOL
€ 121,28 -3.65%
img:MANA (Decentraland)
MANA (Decentraland) - MANA
€ 0.630778566138 3.92%
img:Bitcoin
Bitcoin - BTC
€ 57.925,71 -0.33%
img:Ethereum
Ethereum - ETH
€ 3.195,54 0.03%
img:Chiliz
Chiliz - CHZ
€ 0.148249831338 -0.67%
img:XRP
XRP - XRP
€ 0.597979430552 8.13%
img:Shiba Inu
Shiba Inu - SHIB
€ 2,09 71.97%
img:USD Coin
USD Coin - USDC
€ 0.933779958552 0.28%
img:Cardano
Cardano - ADA
€ 0.696039806 8.53%
img:ApeCoin
ApeCoin - APE
€ 2,24 25.57%
img:Solana
Solana - SOL
€ 121,28 -3.65%
img:MANA (Decentraland)
MANA (Decentraland) - MANA
€ 0.630778566138 3.92%
Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
a- A+

O Bitcoin teve um bom arranque em 2023. Uma pequena subida de 50%, para sair do frio do Cripto-Inverno 2022, num movimento que até era de prever ( https://blog.criptoloja.com/chegou-a-primavera/ ). Afinal, o Bitcoin morre tantas vezes que mais cedo ou mais tarde tem de renascer. Agora, o que pode ser mais surpreendente é o motivo pelo qual voltou a subir. Spoiler: Foram os NFTs.

O que é estranho, pois os NFTs são das coisas mais parvas que o setor das criptomoedas criou e estão por detrás de muitos dos exageros que se cometeram no Cripto-Verão 2021. Depois do crash, ficou até bem claro que os NFTs tinham ido longe demais e a maioria viu o seu valor cair para perto do razoável zero. Até que, numa reviravolta do destino, estes reaparecem no Bitcoin e a re-alimentar o frenesim.

Antes demais, convém explicar o que são os NFTs e logo após destacar que o Bitcoin em 2021 não tinha NFTs e de certo modo, ainda não tem. Então vamos lá, NFT, vem de Non-Fungible-Token, que é um nome péssimo, e são basicamente o equivalente cripto das moedas edição especial para colecionador.

Desde sempre que as casas-da-moeda, gostam de fazer moedas especiais, comemorativas, com desenhos únicos e quantidades limitadas, na expectativa que essas moedas possam valer mais do que o valor nominal delas. Para tal, para terem todo esse valor, as moedas comemorativas precisam de ser raras, bonitas e interessantes, além de, claro, haver um coleccionador disposto a pagar pelo privilégio.

Atingido esse público-alvo, a casa-da-moeda consegue o feito de vender as moedas comemorativas mais caras do que o valor nominal e ainda por cima estas moedas tendem a ficar guardadas em coleções, não circulando, logo não pressionam a inflação dos preços. Bem vistas as coisas, as moedas comemorativas são um esquema meio artístico para criar mais moeda sem aumentar a massa monetária em circulação.

Ora, se há no baú do passado algum truque monetário para imprimir moeda sem desvalorizar, a malta das criptomoedas está atenta e não costuma desperdiçar a oportunidade. Nascem então os NFTs, que são precisamente isso, a tradução para cripto das moedas comemorativas. Os NFTs têm um desenho (talvez bonito, mas pelo menos único), são criados de forma a serem escassos, únicos e coleccionáveis, podendo passar de carteira em carteira, mas não duplicados.

O que se seguiu, com os NFTs das criptomoedas em 2021, só não foi a bolha mais ridícula do setor das moedas comemorativas porque, em 2008, quando o BPN faliu, este mantinha nos seus ativos uma colecção de moedas alusivas ao Euro2004 avaliada (pelo próprio banco, claro) em mais de 4 milhões de euro. Sim, é verdade, o BPN pegou numas moedas muito antigas, de 4 anos, e espetaculares referências a uma taça caseira que Portugal perdeu para a Grécia, valorizou aquela coisa em inteirinhos 4 milhões de Euros e usou como garantia dos empréstimos sem fundo que, surpresa, haveria de ser o contribuinte a pagar.

Ora, nas criptomoedas o contribuinte nunca é chamado a pagar buracos e, como tal, por mais idiota, parvo, tonto, louco que seja o esquema inventado, nunca chegará aos calcanhares do mal que fazem os banqueiros garantidos pelo Estado.

NFTs do Euro 2004

Continuando. Enquanto durou o Verão-Cripto 2021, todas as redes de criptomoedas (com o Ethereum à cabeça) suportam o lançamento de incontáveis colecções de NFTs. NFTs comemorativos de macacos, de sapos, de macacos verdes, de robots com ar de sapo, e por aí vai. Alguns desses NFTs chegaram a ser vendidos ou a valerem milhões de dólares e isso atraia ainda mais criadores e mais imaginação.

Alguns chegaram a imaginar um futuro em que os NFTs tinham imensa utilidade. Por exemplo: para pôr na foto do perfil no twitter; para usar como personagem em jogos de computador; como título de propriedade inconfiscável para um bem físico; como patente industrial, entre outras. Mas, infelizmente, não chegámos a tanto.

O Verão-Cripto deu lugar ao Outono e de repente muitos se deram conta que já havia tantos NFTs que todos pareciam iguais, ou que, um mesmo NFT podia estar registado em dezenas de redes (blockchains) diferentes, sem que o dono o pudesse evitar, ou que, ainda ninguém tinha pensado a sério no desenvolvimento das aplicações práticas, como os jogos, ou os notários incorruptíveis.

Enquanto tudo isto decorria, O Bitcoin aproveitava o Cripto-Verão 2021 e passava pelo seu segundo grande upgrade (chamado Taproot) que permite criar smart-contracts dentro da rede Bitcoin e como tal fazer, ainda que de forma meio enviesada, tudo o que as outras blockchains podem executar.

É que o Bitcoin é especial. Não tem dono, não é centralizado e isso significa que oferece um nível de segurança incomparável, mas também que evolui de forma mais lenta e pensada, apenas quando há um grande acordo e ninguém é excluído (soft-forks compatíveis com o passado). Antes do Taproot, a única outra vez que o Bitcoin tinha tido uma boa atualização (o SegWit) fora em 2018, um Verão-Cripto, uma atualização que permite a Lightning Network e faz do Bitcoin a rede de pagamentos mundial mais rápida e barata de todos os tempos.

Ora, usando as novas oportunidades do Taproot, um programador espertalinho inventou os Ordinals, ou seja, uma forma de associar cada Satoshi (o troco dos Bitcoin) a uma inscrição única e inviolável, que pode ser trocada. Um NFT portanto. Com esta inovação é possível escrever no blockchain de Bitcoin qualquer pedaço de texto/imagem (desde que menor que 3,9Mb) e depois enviar o artefacto para qualquer carteira que o queira comprar.

Foi em finais de 2022 que alguns dos criadores de NFTs se deram conta que, havendo Ordinals no Bitcoin, todas as outras inscrições noutras redes perdiam valor por comparação, ou que, só as inscrições no Bitcoin eram especiais. Em coisa de semanas, desataram a entupir o Blockchain com todo o tipo de criações, os tais sapos-macacos-robôs e sabe-se-lá-que-mais. O Blockchain começou a ser requisitado, os fees subiram e os preços dispararam. É a Primavera.

Agora, para que servem estes Ordinals? Servem para o mesmo que os NFTs das outras cripto-redes, no imediato, para nada. Mas, no futuro, servirão para muita coisa ainda a revelar. É que o valor do artefacto-digital, o valor de inscrever no Blockchain não está na arte, no desenho comemorativo do Euro2004. As inscrições no Bitcoin são, simultaneamente, uma prova do tempo (de quando é que foram criados) e da propriedade intelectual (de quem é o dono da ideia). Parecendo que não, estas duas coisitas são capazes de ser importantes para o avanço da humanidade.

Referências:

https://ordinals.com/ – Acompanhar as inscrições de NFTs/Ordinals no Timechain

https://mempool.space/ – Acompanhar os blocos e as transações pendentes

https://en.wikipedia.org/wiki/Trillion-dollar_coin – O caso em que alguns politicos americanos pretendem fazer um NFT de 1 trilhão de dólar

Alguns dos NFTs inscritos por altura do bloco 777755

Rede cheia com transações especialmente pesadas por conta das inscrições

Destaques Autor
img:Henrique Agostinho

Henrique Agostinho