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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Junho de 2014, a catadupa de escândalos decorrentes da falência do BES atingiu um momento embaraçoso, quando o BES de Angola revelou não fazer ideia de onde tinham ido parar empréstimos de 5.7 mil milhões de euros, inteirinhos, incluindo mais de 500 milhões que desapareceram em levantamentos de notas ao balcão.

Muita gente se apressou a justificar que isso só aconteceria em Angola, que subitamente deixara de ser um parceiro estratégico para as maiores e melhores empresas portuguesas, para se tornar um buraco mal frequentado, com práticas inaceitáveis. Na sede do BES, em Lisboa, capital de um País da União Europeia e membro fundador do Euro, não seria assim como em África. Não senhor, o BES de Portugal não é como o de Angola, é muito diferente. Pois o BES de Portugal nunca admitiria que, além de ter perdido o dinheiro, não fazia ideia onde o perdera. 

A verdade, é que se alguma coisa o BES-Angola fez de diferente aos outros bancos, foi ser menos desonesto, foi dizer a verdade. O BES de Portugal, tal como o BPN ou BCP e a Caixa e tal, perderam tanto ou mais em negócios tão escuros quanto os angolanos, só que nunca tiveram a candura de admitir o que fizeram, antes, cuidaram de ocultar o buraco com sofisticadas operações financeiras.

Tudo começa com empréstimos a uns amigalhaços, sem intenção de pagar, para torrar em ostentação e projectos de vaidade que não fazem o menor sentido económico. Uma lista de casos exemplares poderia incluir a Ongoing 1000 milhões, LFV 750 milhões, CS hotéis 800 milhões, Fino 500 milhões, Global Media 400 milhões, Berardo 800 milhões, etc etc etc. 

O passo seguinte, é reconhecer que perderam o dinheiro que emprestaram. Mas sem a candura dos angolanos, pois que os banqueiros daqui são gente sofisticada. O método preferido para justificar que perderam o dinheiro, é gastar ainda mais. Eis dois exemplos, apenas, de como se faz semelhante habilidade:

– Quando o grupo BCP decidiu acabar com as várias marcas que tinha, Atlântico, Sottomayor etc e criar um novo nome, Millennium, e daí estimou que o novo nome valia, logo no dia em que foi criado, 500 milhões de euros. Assim do nada. Uma empresa que era conhecida por um nome, tinha uma história, uma reputação, deita isso fora, cria um novo nome, gasta uma fortuna em redecoração e argumenta ganhar, milagrosamente, 500 milhões de euros, num só dia. 

– Outro exemplo, depois de falirem muitos daqueles negócios bizarros com empréstimos milionários aos amigalhaços, os restos penhorados, hotéis, empreendimentos, fábricas, geralmente tão mal geridos como o banco que lhes emprestou o dinheiro, são entregues pelo banco a empresas, criadas na hora, especializadas em, dizem eles, recuperação de negócios, como o Fundo Explorer. Do nada, estes novos fundos viram-se assim entre os maiores proprietários da praça, donos de tudo e um par de botas. Melhor, os tais fundos, não precisam de pagar as dívidas dos empreendimentos penhorados, que são elegantemente colocadas em moratória, nem têm sequer risco de negócio, pois recebem, pago pelo banco, uma generosa comissão de gestão, para suportar qualquer custo operacional, e mais, ainda ganham bónus de sucesso, caso consigam recuperar alguma das empresas.

Em ambos os casos, o banco gastou mais dinheiro em cima do que já tinha gasto, foi fazer um pior negócio do que já tinha antes feito e ignorando a racionalidade, até sem remorsos, tratam de registar nas suas contas uns fictícios resultados positivos dessas operações de duplo gasto.

Para compreender como todas estas contas que desafiam a matemática, ou a vergonha na cara, são possíveis, é preciso saber como funciona um banco. Uma mágica que os banqueiros gostam de fazer parecer complicada, com nomes esquisitos, postura arrogante, fatos caros e salários elevados, mas que, na verdade, só tem uma singela explicação: mentem. Os bancos mentem. Mentem tanto que não fazem ideia do que é verdade. Os bancos e já agora os governos, que são iguais, gastam tudo o que põem a mão em cima e mentem nas contas até ao ponto que nada do que dizem é verdade. 

Não é, então, por acaso que, já depois de virar Novo Banco, o BES descobriu, por vários anos seguidos, que a conta do buraco anterior era afinal mais funda do que antes identificado e precisava de ainda mais dinheiro para atirar ao poço. Ou que, uma década depois de fechar, o BPN ainda descobria contas novas a pagar. E isto foi nos bancos resolvidos, arrumados, intervencionados, nos outros, como o BCP ou a CGD, que receberam dinheiro de salvação e continuaram a operar sem interrupção, debaixo do tapete há uma montanha mal parada.

A mentira é tanta que se torna possível um banco como o Credit Suisse, com 150 anos de história, um dos 10 maiores do mundo, Suiço e tal, desaparecer do dia para a noite sem deixar rastro. Como se nunca tivesse existido. Isto é porque no fundo dos fundos, não existe fundo, não há lá nada. Todo o dinheiro que por lá passou, os bancos gastaram.

É um erro comum achar que os bancos recebem dinheiro dos depósitos e o re-emprestam. O que levantaria um problema se alguém quisesse levantar o dinheiro que depositou enquanto esse valor está emprestado e o banco não poderia pagar na hora. Mas isso nos bancos não é assim que funciona. Talvez tenha sido lá atrás, no passado, antes do banco central ou quando os animais falavam. 

Hoje em dia, os bancos, todos os bancos e não apenas os de Angola, funcionam de forma mais elegante. Pegam dinheiro, criado do nada, pelo Banco Central e emprestam aos amigalhaços ou, simplesmente, gastam em coisas que lhes apetece comprar e, vai daí, não fazem bem ideia de onde esse dinheiro foi parar. Tal e qual faz o governo.

Pelo seu lado, o Banco Central faz de conta que sabe muito bem quanto emprestou e exige dos bancos uma lista atualizada e forjada, das coisas em que estes gastaram o dinheiro. Mas, no fundo, e porque também são um banco, e governo, sabem que o dinheiro não tem v de volta, que a maioria daquelas dívidas estão já gastas e perdidas e, não só nunca vão ser pagas, como as próprias prestações e juros são pagos com novos empréstimos. É isso mesmo, as prestações que um banco comercial paga das dívidas antigas ao banco central, são pagas com novas dívidas ao banco central, tal e qual fazem os governos.

Em resumo, os bancos, e os governos, têm nos bancos centrais uma conta de bar aberto, sem fundo e apenas fazem de conta saberem a quantas andam. Pois o dinheiro que pegaram está gasto, perdido, desbaratado e mais dinheiro que precisarem, incluindo para pagar as prestações do que já pegaram, será coberto com novas dívidas ao próprio banco central. E é por este motivo que os CBDC não podem chegar a ser implementados.

É que uma moeda digital, por mais fajuta e manipulada que seja, tipo o FTT ou Luna, tem a irritante funcionalidade de estar toda ela contabilizada, ao centavo. Ora, se o banco central implementar um CBDC, vai acabar a impedir os bancos de fazerem de conta que sabem onde está o dinheiro. Os bancos e os governos, os dois iguais, com o CBDC, não vão poder continuar a pegar dinheiro emprestado, gastar à balda, mentir nas contas e pedir ainda mais emprestado.

Por isso é que os países onde o CBDC foi implementado, potências da alta finança como a Nigéria e a Venezuela, os resultados foram patéticos e por mais que se fale das milhares de experiências com CBDC em partes do mundo semi-civilizado, esta tecnologia simplesmente não pode ser implementada. 

O CBDC é um horror para as pessoas comuns, irá acabar com a privacidade, expor quem trabalha à ganância dos burocratas e facilitar o roubo institucionalizado a quem ousar pensar ou quiser ser saudável. Mas, em compensação, o CBDC é fatal para os bancos, e demais aparelhos dos governos, que deixariam de poder aldrabar nas contas com a mesma facilidade de agora e deixariam de poder operar os seus esquemas de calotes milionários. Há portanto esperança que, para salvar os bancos, se salvem também as pessoas dos CBDCs.

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Henrique Agostinho