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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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A agência de rating Fitch baixou o rating do maior e melhor devedor do mundo, o governo americano. Parece uma coisa menor, de AAA para AA+, mas se olharmos à causa, vemos uma avalanche de Treasuries cujo potencial de estrago não é fácil desvalorizar.

Nos próximos dois anos, o governo americano irá precisar de refinanciar 40% da sua dívida. A maior dívida do mundo e de todos os tempos, vai quase metade a vencer dentro de apenas 24 meses. Dívida essa, quase toda acumulada na última década, com juros perto de zero e que, agora, será renovada, substituída por nova dívida, ao juro inicial de 5%, fazendo explodir o déficit.

Os novos juros da nova dívida vão acrescer ao, já maior de sempre, déficit corrente dos Estados Unidos. Ao tanto que o governo americano já gasta demais e é pago com nova dívida, será preciso somar o novo buraco, causado pelos juros elevados dessas e outras novas dívidas. Esmagando todos os antecedentes de emissão de dívida americana, para um mercado já saturado.

Há que somar ainda a China, e o Japão, que vão, estão, a despejar os títulos de tesouro americano, seja porque podem ou porque precisam. Fora dos EUA, os dois maiores detentores, e ex-compradores, de dívida pública americana vão, já estão, a despejar um monte das suas reservas no mercado, invertendo assim uma tradição de décadas. Fazem-no para sustentar a cotação da sua moeda, para financiar os seus próprios déficits e usar os problemas longe de casa, para distrair dos entre portas. 

Estas três parcelas, todas elas de proporções inéditas, somam valores difíceis de imaginar. O tesouro americano, nos próximos 2 anos, terá de arranjar forma de colocar um número de treasuries americano absolutamente esmagador. Tanto que o teto da dívida foi, ainda agora, suspenso por esse mesmo prazo de dois anos e em vez de ser aumentado num valor fixo, como era habitual. É que o montante que a dívida americana irá galgar é tão estapafúrdio, que fica até difícil de estimar.

Ora, excesso de dívidas, implica juros mais altos. Toda essa dívida que o governo americano se prepara para soltar terá de ser vendida, a juros superiores ao que se pode obter no FED, isto quando a taxa de referência já está a 5,5%, mas vai parecer pouco. 

Num mercado livre, os juros dessas dívidas seriam infinitos, pois não há como absorver tamanhos montantes, sem cair numa bancarrota em regime hiperinflacionário, tipo Venezuela ou Argentina. Mas o FED irá intervir, terá de intervir e ainda pode intervir, eliminando, melhor dizer, adiando, os efeitos mais espetaculares do desastre. Mesmo assim, há que contar com umas consequências bem dolorosas.

Uma coisa que o FED irá fazer é baixar juros seletivamente, especialmente nos prazos mais elevados, para tentar equilibrar o estrago, o que se chama de “yield curve control” e que o banco central do japão anda a perseguir há uma década, com sucesso nenhum.

Note-se que o FED não pode comprar dívida pública diretamente, tem de meter uns bancos amigos no meio, o que é fútil, caro e injusto, mas afinal, foram os bancos que inventaram essas regras, não iam deixar de meter a colher. 

Vai daí, para dar vazão a toda a dívida que o governo americano irá criar, será necessário mobilizar essa quantidade brutal de dinheiro através dos bancos. O Tesouro emite dívida, os bancos pegam nela e entregam para o FED, menos umas comissões. Em troca de dinheiro que depois serve para comprar mais dívida, num ciclo vicioso, que se repete até ao infinito. 

A parte excitante virá logo de seguida, quando o governo americano estiver a empandeirar títulos de tesouro em quantidades abrutalhadas e a pagar juros elevados por elas, obrigando o FED ao tal controle da curva, baixando os juros, ainda que seletivamente, em algumas maturidades e a realizar um monte de bailouts a instituições bancárias que ficaram sem munições para comprarem mais títulos de tesouro. 

Do outro lado da equação, todo o dinheiro que está a ser entregue ao governo é imediatamente gasto, deslargando uma quantidade tamanha de nova moeda que vai espicaçar a inflação. O bicho dos preços, que parecia controlado, afinal funciona por vagas, a primeira, 2022, até foi curta e suave, fácil de dominar, por comparação. A segunda vaga da inflação não será tão meiga, nem pode, porque a quantidade de nova dívida criada, portanto de dinheiro imprimido, é muito maior do que já foi em 2020 e 2021.

Em resumo, inflação com um nova vaga, em cima de um ambiente de juros já elevados, a colocar severas dificuldades a todos os que já estavam apertados com as prestações da casa e aumento dos produtos no supermercado. Tudo coisas que só podem piorar. 

Uma nota final para notar que, se tudo isto (inflação alta com juros altos) ocorre com o Dólar e na América, então, na Europa, só poderá ser pior, pois que, mesmo em comparação ao Dólar, o Euro é uma shitcoin.

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Henrique Agostinho