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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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O momento em que o ouro começou a perder o valor monetário não foi em 1971, quando o governo americano deixou de assegurar o valor em dólares, nem tanto em 1933, quando o ouro na posse da população americana foi confiscado pelos governantes. Esses tristes episódios são, na verdade, os últimos tombos de uma longa queda, que já dura há uns bons 500 anos.

Meio milénio a cair pode parecer um exagero, mas posto na perspectiva dos 4 mil anos em que o Ouro foi o dinheiro de toda a Europa e arredores, é um prazo razoável, pois vinha de muito alto. E até pode vir a prolongar-se, já que ainda lhe falta cair um pedacinho final. Em retrospectiva, o Ouro começou a cair lá pelo no século XV, quando as limitações do metal começaram a ficar aparentes.

O avanço tecnológico que pôs em marcha a longa erosão do papel monetário do ouro foi o comércio trans-europeu, após as cruzadas e a peste negra, dinamizado pelos Templários, os banqueiros Florentinos, Medici incluídos, Jakob Fugger ou os infames Rothschild. Personagens que enriqueceram espantosamente, ao proporcionarem aos mercadores a primeira solução para as limitações operacionais do Ouro, as notas de crédito.

Sem estas notas, quem fosse comprar alguma coisa no Levante para revender em Londres ou Antuérpia, precisaria de carregar, numa viagem perigosíssima, não só a mercadoria, como também o meio de pagamento, sob a forma de moedas de ouro. Ao usar as notas, reduzia o risco de perda, por roubo ou acidente para metade, pois o dinheiro, o ouro, não precisava mais viajar junto com a mercadoria e podia ser obtido com um papel, num dos emergentes entrepostos cambistas.

Não era só vantagens, as notas, para terem valor dependiam da capacidade dos banqueiros e cambistas pagarem o que prometeram. E não era invulgar a promessa ser furada, pois rapidamente os guardiões do dinheiro se deram conta que era muito mais divertido usar esse dinheiro para aplicar em palácios, reis, guerras e outras coisas caras, em vez de apenas o guardar à espera da volta do mercador. Ainda assim, o sistema de crédito pegou, pois o ouro simplesmente já não acompanhava.

Daí para a frente, a utilidade do ouro foi sempre a cair, à medida que o comércio se globalizava. Os banqueiros, preocupados com o cenário de não conseguirem pagar em ouro as suas notas, foram substituídos por Estados, que os banqueiros controlavam, e as notas de crédito, viraram moedas nacionais, com curso forçado, impostas à população, mesmo quando não valiam nada. Nesse entretanto, o metal amarelo perdeu a função de meio de pagamento e ficou com a de reserva de valor, o padrão ouro.

O seguinte degrau na escada descendente veio com a invenção do telégrafo, já no séc. XIX. Até então as notas de crédito viajavam à velocidade das moedas, competindo apenas em praticidade, mas desde então, o ouro já não pôde mais acompanhar. As telecomunicações vieram exacerbar o problema já antigo. Enquanto o ouro é dinheiro, irrepetível, as notas de crédito são dívida, promessas, que dependem exclusivamente da confiança em quem as emite, da fé que se deposita na honestidade dos banqueiros e, desde o curso legal, nos políticos.

Ora, os políticos não tardaram em atraiçoar essa confiança e, em poucas décadas, esvaziaram o ouro da sua utilidade como reserva de valor. Primeiro devagar, ao reduzirem a pó as reservas fracionárias dos bancos e a colocar todo o tipo de obstáculos à troca do papel por ouro. Depois de repente, acabando com a convertibilidade e criando infinitos produtos derivados de bolsa, o ouro de papel.

Ao longo de todo o século XX, o ouro foi massacrado por todo o tipo de políticos e burocratas. Incapaz de se defender, impossível de tele-transportar, inútil como meio de pagamento, falsificado por incontáveis papéis especulativos, escondido em cofres secretos impossíveis de auditar, humilhado por economistas que trocam  – por + nas suas contas. Foi ao ponto de nenhum governo garantir a sua moeda nacional em ouro, nenhum comércio ser pago com o vil metal, reduzindo a chapa dourada, de reserva de valor, a uma relíquia ritual, usado em joalharia, decoração, ostentação e futilidade.

A obsolescência do ouro foi uma catástrofe para o cidadão comum, especialmente a classe média. Privados de dinheiro, só lhes restam dívidas, ficam dependentes da caridade dos burocratas, sujeitos a epidemias de obesidade, desemprego ou disforias sexuais. Ao ponto da esperança média de vida no Ocidente estar agora a retroceder, bem no século XXI. 

Felizmente, todas as moedas tem o seu reverso, e o ouro tem enfim um substituto à altura dos tempos modernos. Sim, o Bitcoin, está a fazer o caminho inverso ao ouro, em direcção a um novo padrão monetário, e à soberania individual. Não serão precisos 500 anos, mas também só passaram 10, será preciso esperar bastante mais. Mas vai dar certo. 

O Bitcoin é, tal como o ouro, dinheiro, incorruptível, não depende da honestidade dos políticos, e tem ainda a vantagem essencial de poder ser transportado instantaneamente de um lado ao outro do mundo, por qualquer pessoa, com uma simples ligação à internet. O bitcoin resolve, melhor que o ouro.

  • Funções Monetárias: Colecionável < Reserva de Valor < Meio de troca
  • Ouro: Joalharia  < Reservas Bancárias < Moedas de Ouro
  • Bitcoin: UTXO < Hodl < Lightning Network

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Henrique Agostinho