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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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O buraco do tamanho do mundoHá poucos dias, o BIS (Bank of International Settlements) fez a seguinte e bombástica afirmação:

“Fundos de pensão e outras entidades financeiras não bancárias têm quase 100 trilhões dólares em dívidas ocultas, fora do balanço, relativas a contratos de swaps cambiais. No cenário de escassez de Dólares, esta dívida escondida é preocupante, pois supera todo o stock de títulos do tesouro e papéis comerciais combinados”

Apesar da linguagem e objetivos retorcidos, a afirmação é bastante assertiva e merece uma investigação mais aprofundada.

Quanto são 100 trilhões – Trilhões à Brasileira e Americana, ou 100 biliões, à Portuguesa é uma quantidade de dinheiro estapafúrdia. Um número com 14 zeros. Equivalente ao PIB do mundo inteiro, perto do dobro do valor de todas as empresas cotadas em todas as bolsas. É tanto, mas tanto, que não dá sequer para entender, quanto mais tapar. Um buraco deste tamanho é irreparável.

O que é o BIS – O BIS é o banco central dos bancos centrais, uma instituição tenebrosa que manda nas demais instituições tenebrosas. São quem manda no dinheiro de toda a gente, sem precisarem de ser eleitos, quanto mais de trabalhar. De uma forma simples, são os donos-dos-donos-disto-tudo.

O que são entidades financeiras não bancárias – Em princípio são gestoras de fundos, seguradoras, corretoras e outras empresas do tipo financeiro, mas pode incluir todas as empresas suficientemente grandes, multinacionais, para terem necessidades de financiamento especiais (através de traders, exportadoras ou holdings). Em resumo, tudo o que não é formalmente um banco. 

O que são contratos de Swaps– São produtos derivados, ou como diz Warren Buffett, “armas financeiras de destruição maciça”. Pois escondem, debaixo de um véu de sofisticação técnica, consequências irracionais. Formalmente, Swaps cambiais são contratos para estabilizar operações financeiras internacionais (por exemplo pagamentos em dólar vs euro), na prática, são dívidas, assentes jogos de casino, com potencial de perdas explosivas.

Traduzindo então a declaração do BIS temos que:

Além do buraco do apocalíptico que são os bancos, nas demais instituições financeiras, não bancárias, existe um outro poço sem fundo, capaz de engolir o mundo, que vai rebentar se o dólar subir (coisa que até já subiu)

O que é ainda pior do que parece e, para entender como, ajuda fazer um desvio, e falar do Portugal da Troika.

Pelo ano de 2013, gerou-se um sururu à volta de uns contratos de Swap publicitados para prejudicar a Ministra das Finanças. Como habitual, tudo o que a imprensa disse foram mentiras destinadas a confundir a população e ilibar os culpados do roubo. Na verdade, esse caso constou de:

– Por ocasião da crise do Subprime, em 2008, o governo de Portugal superou-se e esgotou a imoral capacidade de endividamento, limitada que estava pelo Pacto de Estabilidade do Euro.

– As empresas públicas de transportes (CP, Carris, etc) viram-se então em dificuldades para pagarem os tachos milionários que lá têm.

– Os ardilosos gestores dessas máquinas de torrar dinheiro que, note-se, não precisam de operações cambiais, encontraram nos contratos de Swap cambial uma forma de criar novas dívidas, sem serem obrigados a reportar.

– Só em 2013, já com Portugal falido e intervencionado pela Troika, chegou a conta dos swaps dos transportes para o contribuinte pagar. Muitos milhares de milhões de euros.

– A Ministra das Finanças ameaçou não pagar e foi insultada por tudo o que é mamão agarrado à teta do orçamento de Estado.

– Foi preciso esperar até 2017 para um tribunal condenar o contribuinte português a pagar um adicional de cerca de mil euros por cada um, para salvar as “instituições não financeiras” que fizeram os tais swaps.

– Nesse mesmo ano de 2017, o BIS começou a reclamar contra a natureza oculta, fora do balanço, dos contratos de Swap Cambiais. Sem nenhum efeito, pois continuaram a proliferar.

Conhecendo esta história tão portuguesinha, aquela declaração inicial do BIS pode ser de novo traduzida:

Os governos, os bancos e outras instituições associadas, para gastar muito mais do que admitem (que já é criminosamente demais), escondem a dívida em contratos exóticos, não reportados, que vão rebentar se o dólar subir (coisa que já lá está em cima) 

Assim explicado já dói um bocado mais, mas teremos de analisar a realidade para chegar ao fundo do poço.

Os governos são os culpados – Nenhuma empresa normal, daquelas que trabalham para os clientes, consegue fazer este tipo de buracos do tamanho do mundo, com trilhões de dólares. É preciso o envolvimento dos governos, mais a sua capacidade de escravizar populações inteiras.

Os swaps são feitos por motivos fraudulentos – Não há necessidade nenhuma de assegurar câmbio em entidades estatais que recolhem impostos locais e pagam despesas locais. O Estado faz destas maroscas altamente explosivas apenas para maquilhar as contas.

O BIS não está preocupado com a economia – Nem é o seu mandato. Está sim a tentar ampliar o controle sobre os Bancos Centrais. Com a agravante que o BIS não resolve nenhum problema, até os aumenta, pois vivem a resgatar as tresloucadas máquinas bancárias.

Os Estados devem dólares que não podem pagar – Apenas o FED pode criar dólares. Todos os outros bancos centrais, que assumiram responsabilidade em dólares (indirectamente através de contratos de swap feitos por entidades subsidiárias) só podem imprimir moedas locais. O que causa desvalorização dessa moeda e torna os tais swaps trilionários ainda mais devastadores.

Os bancos Centrais já estão a vender reservas – Estão a tapar o buraco com uma peneira. Japão, Alemanha talvez até a China, estão com déficit na balança de pagamentos (pela primeira vez em muitas décadas) e a torrar as reservas de dólares para tentar segurar as suas moedas. Um esforço com efeito apenas de curto prazo e que tende a fazer ricochete com mais força.

Posto isto, dá para fazer mais uma tradução da afirmação:

Não existem dólares suficientes no mundo para pagar as dívidas dolarizadas criadas, debaixo do tapete, pelos estados não unidos. Por mais que agora delapidem as reservas, a tentar empurrar o problema com a barriga, lá na frente ainda vai ser bem pior.

Pois então e o que pode acontecer lá para a frente?

O FED desata a imprimir dólares em barda, relança a inflação e deixa a população americana insatisfeita. Este é o cenário que atende aos políticos não-americanos (a própria da ONU já pediu por isto), sendo que os estatistas irão aproveitar a folga para gastarem ainda mais, de modo a que, num instante, voltam à casa de partida.

– O FED tenta equilibrar entre o controle da inflação e imprimir selectivamente para salvar os amigos, mergulhando a economia americana e com ela o resto do mundo, numa recessão, o que por si leva os políticos a precisar de fazer alguma coisa e portanto voltar a gastar e portanto, a endividar em barda.

O FED combate a inflação, seca o mundo de dólares, mergulha os governos não-americanos no caos, incapazes de pagar pensões, salários e importações. Cenário que acaba por contaminar os Estados Unidos, levando à necessidade de gastar e imprimir em barda.

Em qualquer dos casos, o resultado é idêntico, apenas muda no tempo até lá chegar. O sistema dólar fiduciário está escangalhado: o dólar forte é péssimo para o dólar e o dólar fraco fortalece o dólar, que é péssimo para o dólar. Assim sendo, o dólar alto e a inflação mais alta ainda estão para ficar, pelo menos enquanto não se implementar uma alternativa ao dólar (sim o Bitcoin). 

(Banker afraid of money, criado por AI)

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Henrique Agostinho