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Luís Gomes
Luís Gomes
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As ondas de choque com a queda da FTX não cessam. Depois da empresa Blockfi – erradamente chamada DeFi – suspender os levantamentos dos clientes, há dois dias, foi a vez da Gemini Earn e da Genesis. Tal como escrevi na semana passada, a indústria está a sofrer as consequências da centralização, algo que a tecnologia blockchain veio precisamente combater.

Ao longo de séculos, as pessoas habituaram-se a confiar em entidades centralizadas, como é o caso de um banco comercial. Na era romana, os primeiros banqueiros eram sacerdotes, atendendo que os templos estavam permanentemente protegidos pelo exército, assegurando a protecção dos depósitos. 

O depósito de Ouro entregue ao banqueiro era exclusivamente por razões de segurança; esperava-se que este, a troco de uma remuneração, tivesse um registo organizado – por forma a conhecer as quantidades pertencentes a cada pessoa a todo o momento – e providenciasse serviços de segurança. Aquilo que hoje designamos por depósito à ordem: em qualquer momento e para qualquer montante, esperamos que o mesmo seja convertido de imediato em notas e moedas. Na era romana, significava barras de Ouro.

Seguidamente, surgiu outro negócio: a intermediação da poupança. Um depositante acorda com o banqueiro, por exemplo, ter o seu Ouro imobilizado durante dois anos a troco de uma remuneração, vamos supor 4% por ano; posteriormente, o banqueiro vai à procura de particulares ou empresas com necessidades de crédito, concedendo empréstimos a 9% com a mesma duração temporal, obtendo, desta forma, uma margem de 5%. 

O terceiro negócio assentava na cobrança de comissões para a realização de transferências, ou seja, movimentar o dinheiro da conta A para a conta B, alterando a propriedade sobre uma dada quantidade de dinheiro. 

Alguém que presta serviços de custódia não é mais do que um fiel de armazém: a todo o momento, conhece quem é o proprietário de cada mercadoria depositada no seu armazém; com um banco é algo semelhante: a todo o momento, o banco deverá conhecer a quem pertence o dinheiro à sua guarda; o tal registo organizado. 

Imaginemos que dois clientes do mesmo armazém fazem um negócio entre si, em que o primeiro vende uma parte da sua mercadoria A ao segundo. Assim, o fiel de armazém vai alterar os seus registos, modificando a propriedade da mercadoria A, deixando de ser 100% propriedade do primeiro e passando uma parte para o segundo. Num banco é exactamente igual a uma transferência entre clientes do mesmo banco. 

No caso de clientes de diferentes armazéns, dois fiéis de armazém têm de se encontrar e modificar os seus registos, com base na vontade das partes. É o mesmo caso de uma transferência entre bancos. A rede SEPA ou a rede SWIFT não são mais que meios electrónicos para coordenar a transferência de propriedade entre dois “fiéis de armazém”.

Quais são as principais funções de um banco?

Um manuscrito do século XIV retratando banqueiros numa casa de contagem italiana. Fonte: Wikipedia

Podemos então resumir as três principais funções de um banco em:

  1. Guardar o dinheiro dos clientes, protegendo a sua propriedade; neste caso, o valor que consta dos extractos dos clientes deverá corresponder aos valores que se encontram à sua guarda. Será o mesmo que o fiel de armazém que emite fichas a indicar a quantidade de mercadorias que podem ser levantadas. Desta forma, o inventário que consta em todas as fichas deverá corresponder ao que se encontra no armazém. Por este serviço o fiel de armazém cobra um custo de armazenagem, o mesmo que o exigido por um banco para manter um registo organizado do que está à sua guarda;
  1. Intermediar poupança, obtendo uma margem entre o que recebe dos empréstimos realizados e os juros pagos aos aforradores. Ao contrário do que fazem crer às pessoas, através de fundos de garantia ou pela supervisão exercida, esta actividade comporta risco, atendendo que os empréstimos concedidos podem tornar-se incobráveis. Por essa razão, o banco deve ser escrupuloso e conhecer em detalhe a quem concede empréstimos, diversificando também por diferentes pessoas e entidades, por forma a mitigar os riscos. São os depósitos a prazo que não podem ser movimentados durante algum tempo, pois estão aplicados em empréstimos a um juro superior, gerando a margem de intermediação financeira dos bancos;
  1. Registar num livro-razão as alterações de propriedade do dinheiro, nomeadamente quando ocorrem transferências entre contas; exactamente o mesmo que um fiel de armazém, que toma nota de todas as movimentações de propriedade que ocorrem nos seus registos.

Não há nada de incorrecto ou prejudicial à economia pelas três funções acima descritas; o problema surge quando o banqueiro detecta que apenas uma pequena minoria converte os seus depósitos à ordem em notas e moedas. Ninguém vê qualquer necessidade de efectuar essa conversão, toda a gente confia nos extractos do banco, acreditando que este possui todas as notas e moedas correspondentes ao valor facial dos extractos. 

Reservas fraccionadas

Neste contexto, surgiu a prática de reservas fraccionadas, em que o banco emite dinheiro – hoje, é apenas dinheiro digital – e concede um crédito, seja a um particular ou a uma empresa, registando uma partida dobrada no seu balanço: 

  • do lado devedor (activo), crédito concedido a um cliente; 
  • do lado credor (passivo), depósito à ordem a favor do cliente. Assim, este cliente pode passar um cheque ou realizar uma transferência a favor do vendedor do bem ou serviço que decidiu adquirir através de um empréstimo, após o qual passará a pagar capital e juros nos meses vindouros. 

Em resumo, esta prática significa inflação, atendendo que aumenta a massa monetária em circulação – se um particular imprimir notas em sua casa, o seu destino é certo! – , deixando de haver correspondência entre os extractos dos clientes e as notas e moedas (ou reservas) existentes no banco

Desta forma, se todos os clientes decidem correr ao banco a solicitar a conversão das suas notas e moedas, será possível apenas para uma ínfima fracção. Em resultado disto, as actuais instituições bancárias são todas insolventes, dado serem incapazes de fazer face a uma “corrida aos bancos”. A razão por que se diz: o sistema assenta na “confiança”!

A revolução do blockchain

A revolução do blockchain

A grande revolução da tecnologia blockchain foi a capacidade de executar as três funções sobreditas sem a existência de uma entidade central:

  • Os tokens num dado endereço estão na posse da pessoa desde que esta controle a chave-privada; o registo no blockchain de que existe um determinado número de tokens num dado endereço encontra-se disperso por milhares de computadores – todos até a mesma informação a todo o momento -, daí dizer-se que é um registo descentralização. Numa entidade central, como um banco ou uma corretora de Criptomoedas, esse registo encontra-se nos computadores controlados precisamente por essa entidade, a razão do enorme risco. Por essa razão, os bancos estão supervisionados, em que um dos aspectos sujeito a maior averiguação é precisamente o controlo, a segurança e a organização dos registos;
  • A actividade de intermediação de poupança também pode ser realizada de forma descentralizada através do blockchain e da tokenização de activos reais; assim, se alguém deseja obter um empréstimo tem que deixar um colateral superior ao que está a pedir. Assim, se eu desejo solicitar um empréstimo de 1000 USDC, podem-me exigir um colateral em Bitcoins correspondente a um valor de mercado 1,5 vezes o crédito solicitado; neste caso 1500 Euros. O protocolo pode liquidar os Bitcoins caso o valor de mercado desça a 1100 USDCs, por exemplo, por forma a eliminar a possibilidade de créditos incobráveis. Tudo isto é realizado sem a intervenção de uma entidade central, onde tudo é processado de forma automática. Não há necessidade de conhecer o cliente, o seu risco de crédito, de ir ao notário, nem tão pouco a prática de reservas fraccionadas, em que se imprime dinheiro para conceder crédito. Isto foi o que aconteceu com a FTX, em que esta emitia tokens FTT para servirem de colateral nas suas aventuras especulativas;
  • A actividade de “fiel de armazém” também é realizada sem a intervenção de qualquer entidade central; se eu desejo transferir Bitcoins para outra carteira, bastar-me-á controlar as chaves-privadas e autorizar a respectiva transferência; esta será validada por vários nodos mineradores, que são recompensados em Bitcoins com novos tokens. Tudo isto funciona sem a intervenção de uma entidade central, de forma automática e de acordo como o protocolo.

Saiba mais sobre USDC e stablecoins em: Mas afinal, o que são stablecoins?

O Bitcoin foi criado para resolver os “desmandos” do sistema fiat, em que os Bancos Centrais podem imprimir quantidades massivas de dinheiro sem freio – os bancos comerciais multiplicam em cascata esta emissão -, gerando a inflação que estamos presentemente a viver. Por outro lado, ao estar assente na tecnologia blockchain visava eliminar a necessidade de qualquer entidade central.

Quer comprar Bitcoins em Portugal? Descubra como em: Como comprar bitcoins em portugal?

Um dos grandes erros da indústria de Criptomoedas foi enveredar pelos erros da banca tradicional, igualmente aceite pela maioria dos clientes, que ainda não compreendeu que as bolsas de Criptomoedas deverão servir apenas para realizar conversões entre moeda fiduciária e Criptomoedas e não para a custódia de tokens – estes devem estar no endereço controlado pelas pessoas, evitando uma entidade central.

Por outro lado, a perversão do conceito DeFi é total – não nos esqueçamos do que significa: Decentralized Finance -; ora, o Blockfi, que acaba de falir, em consequência da queda da FTX, não era DeFi, atendendo que é precisamente uma entidade centralizada, a razão da sua queda.

Uma indústria que surgiu precisamente contra um mundo centralizado enferma agora dos mesmos problemas desse mundo centralizado. 

O futuro das criptomoedas? 

O futuro das criptomoedas? 

Dizer aos clientes que os tokens devem estar em endereços por si controlados, caso contrário, não são seus. Por outro lado, devem ser evitadas bolsas que oferecem a negociação de derivados onde são contraparte dos clientes, não tenham carteira própria para especulação, não utilizem o dinheiro dos clientes para aventuras especulativas, nem tão pouco dêem a cara junto dos clientes – onde não é possível contactá-los com uma simples chamada telefónica.

A sangria da FTX ainda não terminou, mas algo positivo já trouxe: (i) o caminho da descentralização volta a ser uma prioridade; (ii) as entidades centrais que adoptaram maus comportamentos vão ser eliminadas pelo mercado.

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Luís Gomes

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