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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Se se encontrar numa situação de precisar de lavar dinheiro e daí pensar em usar Bitcoin ou outras criptomoedas, este guia é para si. Porque se arrisca a fazer uma grande alhada e meter-se numa salada ainda maior do que aquela em que já estava.

Há que reconhecer, não tem mal em não saber como se lava dinheiro, seja porque o dinheiro não é como as cuecas que se sujam com facilidade, ou seja porque nunca teve a quem perguntar, o tema da lavagem é pouco popular e portanto é caso para reconhecer que já fazia falta um guia prático sobre o assunto, vamos então ao passo a passo.

  1. Esqueça tudo o que lhe disseram ser verdade.

Por motivos que agora não importam, lavar dinheiro não é uma atividade bem vista por muita gente, como tal, não é de esperar que se ensine nas escolas, ou que a televisão preste informações confiáveis. Acresce que a lavagem de dinheiro é como um truque de ilusionismo. Se o mágico acena com uma mão, o truque faz-se com a outra, e é do mais básico código dos ilusionistas nunca revelarem como fazem os seus truques. Adiante.

  1. Arranje algum dinheiro sujo.

Esta é, de longe, a parte mais difícil em qualquer programa de lavagem. Sujar dinheiro não é nada fácil. Só umas poucas pessoas, geralmente bem relacionadas dentro dos governos é que conseguem sujar muito dinheiro. Isto porque, para o dinheiro precisar ser lavado, é preciso que o governo diga antes que determinada actividade é ilegal, fazendo do dinheiro resultante dessa actividade, sujo. Grosso modo, há duas formas de sujar dinheiro: Contrabando/Mercado-Negro (vender umas coisas que o Governo não quer que se venda) e Corrupção (ficar com dinheiro do Governo, quando o Governo não o queria dar).

3) Pague impostos

Agora que tem na mão algum dinheiro sujo, para o limpar, basta pagar impostos. Pronto, está resolvido. Depois de pagar impostos, o dinheiro sujo fica limpo, tá feito. Explicando, as fontes do dinheiro sujo são negócios ilegais. Se o governo as proíbe, naturalmente não vai cobrar impostos sobre elas. Então, daqui decorre que se o governo cobrou impostos, é porque a actividade afinal não era ilegal. Pronto. 

4) Conte uma História

Ok, também vai ser preciso arranjar uma explicação airosa para a origem dos rendimentos, não dá para escrever  “contrabando de sangue para os hospitais públicos” no formulário do IRS. Em compensação, resolver isso é mais fácil do que parece, basta dizer que foi dinheiro de “consultoria” ou “a minha mãe herdou um cofre das minas de volfrâmio” que passa. E a experiência mostra que não é preciso ser muito convincente. O governo está tão desesperado por cobrar impostos que, desde que goste da taxa, não costuma ser comichoso com a nomenclatura. 

Este é então o passo-a-passo para lavar dinheiro. E agora, que já sabe, vale a pena revisitar algumas ideias que talvez pensava saber, mas não são bem verdade.

  1. O dinheiro que evita os impostos não é sujo. 

Basta ver que toda a gente que é gente paga o mínimo imposto possível e recorre a todas as soluções legais disponíveis para pagar ainda menos. Se toda a gente evita extra impostos, o dinheiro de toda a gente não é sujo. Mais, como a lei não faz diferença entre mil e um milhão, um negócio offshore é tão legal e limpo quanto declarar umas “despesas médicas” para abater ao IRS. Vai daí, aí não há nada para lavar. Há é que conhecer o limite da legalidade para evitar impostos. Pois que, se o esquema de evitar impostos for ilegal, já vira contrabando/mercado-negro, e aí suja.

  1. Lavar dinheiro é caro.

Na lavagem, o dinheiro encolhe mais do que lã a 90º. Quem faz lavagem de dinheiro fica mais pobre, ou menos rico, do que antes. Lavar dinheiro é um péssimo negócio. Isto porque, o processo de lavar é pagar impostos e os impostos são tão altos que toda a gente paga o mínimo possível. Decorre daqui que, quem lava dinheiro, gasta muito dinheiro na lavagem. Tipicamente era gente que ganhou mais que isso nas suas actividades ilegais, portanto não é para ter pena, mas não deixa de ser mau negócio.

  1. Lava-se nos Bancos e não com Bitcoin

O Bitcoin é uma coisa relativamente recente, e a lavagem de dinheiro já tem a sua idade. Depreende-se assim que a lavagem de dinheiro não precisa do Bitcoin para nada. Tanto mais que o governo não aceita pagamentos em criptomoedas, logo, não dá para as lavar. Pior ainda. As criptomoedas são absolutamente transparentes, em qualquer momento é possível saber onde anda cada uma das moedas. Já os bancos, é exatamente ao contrário, em nenhum momento, nem mesmo quando dava jeito saber, se faz ideia de onde anda o dinheiro que eles já gastaram e fingem que guardam.

Posto tudo isto, resta uma questão primordial: Porque raio é que alguém haverá de lavar dinheiro, se é caro e pode trazer outras complicações? Certamente seria melhor manter o dinheiro sujo e simplesmente gastá-lo como limpo. Ora nem por acaso, é o que faz a maioria das pessoas, às vezes sem se darem conta.

Imagine-se o seguinte caso, um amigo recebeu algum dinheiro ilegal, sujo portanto, por exemplo: O padrinho deu-lhe um presente de aniversário de valor superior a 1000 euros; ajudou um arquiteto bem relacionado lá na Camara Municipal a licenciar uma obra; alguém pagou-lhe para atestar o carro de gasolina em Espanha; levou o banco da família à falência a dar emprestimos garantidos pelo Banco Central; fez um biscate e recebeu uma boa gorjeta; etc. Não importa porquê, está sujo. O que deve fazer agora? 

Tem a opção de lavar o dinheiro, declara-se o rendimento aos impostos, paga-se o que tiver de pagar e pronto. É caro, mas fica limpo. Ou então, a alternativa mais em conta, é pegar no dinheiro e gastá-lo como se fosse limpo, sem dizer nada a ninguém. Fica mais barato, tão mais barato, que é capaz de ser a solução mais usada por quem está em situação monetária pouco limpa.

Convém é ser discreto. Nunca comprar com dinheiro sujo coisas que dão muito nas vistas, tipo Lamborghinis ou Bitcoin. É que essas coisas são super difíceis de disfarçar. Um Lamborghini faz imenso barulho e o Bitcoin tem um registo permanente e inviolável de todas as transações. A qualquer momento é possível saber onde andam todas as criptomoedas e assim travar as que são ilegítimas. Totalmente desadequado para dinheiro sujo. Se a ideia é disfarçar a sujeira, esqueça o Bitcoin, fique-se mas é pelas compras já comprovadas pelo tempo: ONGs e Arte.

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Henrique Agostinho