Tecnológicas contratam executivos para liderar aposta no mercado financeiro digital
As maiores empresas de tecnologia do mundo, como a Amazon, Google e Microsoft, andaram recentemente no mercado a contratar directores executivos para liderar as suas estratégias relacionadas com as criptomoedas.
A aposta na Web3 já se faz notar nas grandes estruturas empresariais. Atraídas pela oportunidade de negócio inerente, criam departamentos dedicados e contratam equipas especializadas.
Na realidade, o que está a acontecer é que, além das oportunidades de investimento, as criptomoedas já são vistas como o futuro dos serviços financeiros e, enquanto muitos bancos parecem desinteressados, as empresas de tecnologia não parecem ter dúvidas.
Sobre este tema, Pedro Borges, CEO da Criptoloja, refere que “cada vez mais as criptomoeadas são uma forma inovadora de ganhar dinheiro, não somente como investimento, mas também como profissão”.
Acrescenta ainda que “no mercado de trabalho ainda há um vazio nesta área. É praticamente impossível encontrar profissionais qualificados e, por isso, estes recebem, basicamente, o que querem”.
Que funções são estas, na prática
Quando se fala de equipas dedicadas a criptoactivos dentro de grandes empresas, é fácil imaginar que se trata de gerir posições de investimento. Na maioria dos casos não é isso. As funções criadas concentram-se em quatro áreas: infra-estrutura de pagamentos e liquidação, engenharia de contratos inteligentes e de sistemas distribuídos, conformidade regulatória — prevenção de branqueamento, identificação de clientes, reporte —, e segurança da informação aplicada à gestão de chaves criptográficas.
É a última que costuma surpreender quem chega de fora. Num sistema em que uma chave privada dá acesso irreversível a fundos, a gestão dessas chaves deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser uma função crítica, com procedimentos, redundância e auditoria. Boa parte da procura por profissionais neste domínio vem daí, e não da negociação.
Que competências pesam
O perfil mais procurado raramente é o de alguém que só domina o vocabulário do sector. É o de quem junta uma competência sólida e verificável — programação de sistemas, criptografia, direito financeiro, auditoria, segurança — a um conhecimento específico de como funcionam as cadeias de blocos. A escassez está na interseção, não em cada uma das partes isoladamente, e é isso que explica as dificuldades de recrutamento descritas no artigo.
Para quem pondera aproximar-se desta área, a sequência que costuma funcionar é a inversa da intuitiva: consolidar primeiro a competência de base e acrescentar depois a especialização. Compreender como funciona uma cadeia de blocos, o que é um token e como se estruturam as aplicações de finanças descentralizadas é acessível a qualquer profissional com método; o inverso — ganhar competência de base a partir do jargão — não costuma acontecer.
Uma nota de contexto sobre ciclos
A contratação em tecnologia segue ciclos, e o entusiasmo descrito nesta notícia, de 2022, foi seguido por uma correcção significativa no sector, com redução de equipas em várias empresas e deslocação de investimento para outras áreas emergentes. É um dado importante para quem lê hoje o artigo: a existência de procura por competências específicas não garante estabilidade de emprego num ciclo descendente.
Em contrapartida, a exigência regulatória cresceu de forma estrutural e não cíclica. Com o regulamento MiCA em aplicação na União Europeia, as funções ligadas a conformidade, auditoria e supervisão passaram a ser obrigatórias para quem opera neste mercado. É a parte da procura que menos depende do sentimento do momento.
Como ler um anúncio de emprego nesta área
Os títulos enganam. «Especialista em blockchain» pode designar uma função de engenharia, uma função jurídica ou uma função comercial, e as três exigem coisas diferentes. Vá directo à lista de responsabilidades e procure o verbo principal. Escrever código, auditar processos, reportar ao supervisor e vender são trabalhos distintos.
Há um segundo sinal que vale a pena procurar: a quem reporta a função. Uma equipa de activos digitais dentro da direcção financeira faz tesouraria. Dentro da direcção de produto, faz produto. Dentro da conformidade, faz supervisão. O organigrama diz mais sobre o trabalho real do que a descrição.
O que se estuda, e por que ordem
A base é sempre a mesma e não mudou com os ciclos do mercado: criptografia aplicada, sistemas distribuídos e noções sólidas de contabilidade ou de direito, conforme o lado para que se vai. Só depois entra o específico das cadeias de blocos.
Comece por perceber o que uma cadeia de blocos garante e o que não garante. O funcionamento de uma cadeia de blocos explica o mecanismo sem jargão, e o que é o dinheiro dá o enquadramento económico que costuma faltar a quem chega pelo lado técnico. Quem vai para conformidade tem de conhecer o regulamento MiCA na origem, e não em resumos.
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- Criptonário — o vocabulário técnico, explicado.
- Directório de criptoeconomia e blockchain — quem faz o quê no ecossistema.