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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Os mercados financeiros, as bolsas, são uma mistura de casa de alterne, casino e circo, onde figurões fazem figuras mais ou menos obscenas a troco de dinheiro, muito dinheiro. Com os números em exibição a incluírem relativamente poucos palhaços, que são os investidores individuais, algo de bestas amestradas, os beneficiários dos fundos de pensões, bastante de contorcionismo, por parte de políticos e reguladores e quase tudo em ilusionismo, a especialidade dos cabeças de cartaz.

Aí, no centro da tenda, ninguém é mais protagonista do que a Blackrock, que proporciona o maior espetáculo do mundo, através dos seus inescapáveis produtos indexados, para investimento passivo. Aplausos para o colosso da pedra preta, que é tão só o maior accionista de todas as empresas cotadas em bolsa, o maior credor de todos os governos e o maior comprador de todas as commodities, tudo isto sem nunca arriscar um centavo de seu. 

A magia, consegue-se através de uma artimanha enganosamente simples, os chamados ETFs, de Exchange Trade Fund, que são produtos financeiros onde os investidores compram cabazes de outros produtos financeiros em vez de comprarem os títulos individualmente. Podendo, ao custo de uma pequena comissão, deter um conjunto muito variado de ações, diversificar os investimentos e acompanhar a evolução geral dos mercados, sem sofrer com problemas de liquidez nem precisar de um alto volume inicial. Um truque de embalagem, que irá agora chegar ao Bitcoin.

Aparte para ter um pouco de ideia do poder da Blackrock: https://www.zerohedge.com/political/blackrock-recruiter-claims-senators-can-be-bought-10k-war-good-business-okeefe

Vem a propósito porque, recentemente, a Blackrock submeteu a documentação para a aprovação de um ETF de Bitcoin, e a coisa terá implicações interessantes e que vão muito para além do preço. E vai acabar por mostrar como, nas bolsas, há sempre algo metido na manga. Vamos por partes:

Em primeiro lugar, convém notar que já existe, cotado em bolsa e há bastante tempo, um fundo/título com Bitcoin, é chamado de Grayscale Bitcoin, ou GBTC. Esse fundo bem gostaria de ser um ETF e beneficiar de melhores condições de comercialização, que lhe permitiriam baixar as comissões dos actuais 2% para os normais 0,2% dos ETFs. Só que o regulador, a SEC, recusou, por várias vezes, autorizar a conversão do GBTC em ETF. Foi ao ponto de a Grayscale colocar a SEC em tribunal, e surpresa, as audições de Maio indicam que a Grayscale deverá ganhar o caso. Estando aí, talvez, a motivação para a Blackrock avançar com o seu próprio ETF de Bitcoin, para ajudar a SEC a esvaziar a vitória da Grayscale.

Note-se também, agora em segundo lugar, que já existem outros ETFs de Bitcoin, mas não são “com” Bitcoin, não são “spot”, são derivados, futuros e não se vendem na bolsa de Nova York, mas sim na Bolsa de Chicago. E tem mais, pela natureza de serem apostas derivadas, não só têm um custo de intermediação muito elevado, com validade temporal limitada, além de não possuírem nem um só bitcoin lá dentro. Derivados são artifícios financeiros que desviam dinheiro, neste caso do Bitcoin, para vender promessas, vagamente disfarçadas com um B pintado de cor de laranja. O mesmo truque de vender gato por lebre que faz o Revolut, ou o Saxo Bank. É o que se pode chamar de  “bitcoin de papel”, pois só no papel é que diz ter a ver com Bitcoin.

Voltando à Grayscale, esses ao menos, compraram cerca de 100 mil Bitcoins (3 bilhões de dólares) significa portanto que, quem compra o GBTC, estará a ajudar a comprar Bitcoin de verdade. Ao contrário de quem compra no Revolut, ou no Saxo, ou na Bolsa de Chicago, que, ao não terem nenhum Bitcoin por detrás, causam diluição da oferta. Isto importa porque, pela lei da oferta e procura, quem compra Bitcoin, contribui com a sua procura para fazer subir o preço, o que é simpático, pois foi para isso mesmo que comprou. Acontece que quem for meter dinheiro no Revolut, e tal, não está a comprar nenhum Bitcoin, então, não está gerar procura, logo, não está a fazer subir o preço, está, portanto, a dar um tiro no pé. Haver gente a vender “Bitcoin de papel” é uma forma de manipulação do mercado.

Só que a SEC não tem problema nenhum com a manipulação do “Bitcoin de Papel”, tal como não tem com o “Ouro de papel”, e tantas outras aldrabices financeiras oficiais, mas tem contra a ideia de um ETF com Bitcoin. Talvez seja porque o ETF iria trazer para o Bitcoin uma enorme quantidade de nova procura que faria subir os preços. Através de dois mecanismos: Por um lado, o tal ETF estaria disponível nas contas de corretagem do mundo inteiro, fácil de comprar para um monte de gente que tem as suas poupanças em contas dedicadas à bolsa, como o 401K (o PPR das américas); Por outro lado, porque um produto cotado resolverá um empecilho contabilístico, pelo qual, as empresas que compram Bitcoin são obrigadas a registar um prejuízo se o Bitcoin descer, mas não podem registar um lucro se o Bitcoin subir. 

Se toda essa nova procura para o Bitcoin é bom, pelo menos para o preço, o reverso da moeda pode até ser bastante desagradável para a liberdade económica. Por exemplo, daí para a frente, quem comprar Bitcoin fora do EFT será olhado com desconfiança pela fiscalização, da SEC e afins, que vão inventar motivos maléficos para reclamar dos comprador de Bitcoin livres, que não pagam comissões aos sistema financeiro. Tornando muitos investidores reféns da Blackrock e tornando a Blackrock capaz de manipular o preço do Bitcoin, como já o faz com tantas outras coisas, incluindo o Ouro.

É que o Ouro é uma relíquia, precisa de um ETF, pelo mesmo motivo que já não é considerado dinheiro e não é usado de forma comercial. O ouro, durante milénios servia como alternativa à confiança nos banqueiros e políticos. Não é possível falsificar e portanto ter ouro era garantia que não seria desvalorizado, e assim foi apesar dos milénios em que governos procuraram se livrar da pedra amarela. Ocorreu que o ouro não cabe num telegrama, e isso foi-lhe fatal. No mundo moderno, digitalizado, online, não dá jeito usar ouro como dinheiro e, como tal, os aforradores vêem-se limitados ao “ouro de papel”, ou ETFs como o CSGOLD, da Blackrock, pois claro, que diz ter ouro verdadeiro a suportar o papel, mas não o promete entregar. Eis então a questão principal, os valores que compõem um ETF não podem ser resgatados, no final de contas, pode não estar lá nada, podem bem ser apenas papel, uma ilusão.

Chegamos então ao ponto final. O Bitcoin, a inovação tecnológica, existe precisamente para proteger as pessoas desses truques de circo dos ETFs, dos produtos derivados, de vender o que não se tem, de prometer e não entregar. Sem o Bitcoin, só existe o “fiat”, o sistema monetário assente na honestidade de banqueiros e políticos. Até ao Bitcoin, não havia forma de alguém ter dinheiro sem depender da palavra e boa vontade dos banqueiros. E o Bitcoin é uma necessária revolução precisamente por dispensar essa gente toda, os que partem e repartem e ficam com a melhor parte. Gente que, por exemplo, dá uma nega a Grayscale e quando se vê encurralada por um azar em tribunal, mete ao barulho a Blackrock para esvaziar a sua derrota.

Haver um ETF de Bitcoin, deverá ser bom no imediato, para o preço, pois traz um monte de nova procura para uma oferta limitada. Mas não resolve o problema que o Bitcoin resolve, que é precisamente não depender de ETFs, nem de intermediários. Um EFT de Bitcoin é uma contradição em termos, o Bitcoin existe precisamente para dispensar com os ETFs e demais esquemas da Blackrock. Por outro lado, o facto da Blackrock querer lançar um ETF de Bitcoin é um sinal que nem a Blackrock pode passar sem Bitcoin.

Leitura complementar: https://allenfarrington.medium.com/trust-me-bro-fb5a25964634

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Henrique Agostinho