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Luís Gomes
Luís Gomes
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Recentemente, a respeito da queda da Luna e da UST, comentei a existência de três tipos de StableCoins: (i) suportadas em moedas Fiat, como são os casos das conhecidas USD Coin (USDC) e Tether (USDT); (ii) suportadas em Criptomoedas, como é o caso do DAI (DAI); e (iii) suportadas num algoritmo, como é o caso do US Terra (UST), caído em desgraça há semanas.

Hoje, desejo analisar a principal razão para a inexistência de qualquer StableCoin relevante indexada ao Euro, ou seja, com uma capitalização bolsista assinalável, tal como acontece para o Tether, com cerca de 69 mil milhões de USD, e para o USDC, com cerca de 54 mil milhões de USD à data em que escrevo.

Empresas como a Circle ou a Tether, as emissoras do USD Coin (USDC) e do Tether (USDT) respectivamente, são obviamente atraídas pela possibilidade de receber juros pelos Dólares norte-americanos que recebem no momento de emitir novos tokens; ou seja, aplicam a tesouraria que recebem (depósitos a prazo, obrigações do tesouro, papel comercial) por contrapartida de uma nova emissão.

Como é óbvio, quase todas estas empresas decidiram criar StableCoins indexadas ao Dólar norte-americano (USD), em lugar do Euro (EUR), pois a primeira, embora com valores reduzidos, permite receber juros, enquanto a segunda obriga ao pagamento de juros para quem deposita – para o pequeno aforrador está reservado juros de 0,1% ao ano, algo simbólico.

Esta é uma realidade que a banca europeia vive desde meados de 2014 quando deposita liquidez junto do BCE; actualmente paga 0,5% ao ano, em lugar de receber, como podemos observar na Figura 1.

Figura 1

Esta realidade não só afecta os aforradores e a banca europeia, mas também o desenvolvimento das StableCoins indexadas ao Euro. Não existem projectos interessados em receber Euros e ter de pagar por eles, pelo simples facto de os ter na sua posse! É algo que praticamente elimina pela raiz qualquer iniciativa de monta.

Neste cenário, a banca europeia deixou de intermediar poupança, ou seja, de captar poupanças a um juro, por exemplo, de 3 ou 4%, para realizar empréstimos a 8 e 9%; não necessita, pois pode obter liquidez do BCE, em lugar competir pelos depósitos dos clientes; aliás, nos últimos anos, os aforros destes passaram a ser um enorme incómodo para a banca.

Para a generalidade da população, a banca passou a ser usada exclusivamente para serviços bancários (transferências, pagamentos, remessas, cartões…) e para solicitar empréstimos, desaparecendo soluções de aforro com taxa fixa ou estável: os tradicionais depósitos a prazo.

Os clientes deixaram de obter qualquer remuneração das suas poupanças como passaram a pagar toda a espécie de comissões – manutenção, abertura, processamento, sabe-se lá mais o quê -, a única forma de os bancos pagarem as suas contas actualmente. Os depósitos dos clientes passaram a ser um “fardo” para os bancos europeus, pois estes são obrigados a pagar pela liquidez em excesso que possuem junto do BCE.

Para agravar esta situação, recentemente, a inflação não pára de subir, registando valores nunca vistos em décadas; estamos todos os meses a celebrar novos máximos, com a inflação a registar uma taxa anualizada de 8,1% na Zona Euro no último mês de Maio (ver Figura 2).

Figura 2

Em face desta realidade, é urgente promover o acesso dos aforradores aos múltiplos projectos DeFi que existem hoje no mundo Cripto; apenas desta forma poderão obter retornos positivos para as suas poupanças, ou seja, acima da inflação e evitando a erosão do poder aquisitivo das poupanças.

Por outro lado, importa eliminar os juros negativos para os depósitos em Euro, por forma a atrair projectos como o Tether à moeda única europeia, algo que hoje não é possível. A existência de uma oferta de qualidade exclusivamente centrada em USD, obriga os aforradores a suportar o risco cambial do Euro frente ao Dólar norte-americano.

Por fim, a legislação europeia deverá facilitar a emissão de StableCoins, algo que não se prevê na legislação que está na calha na União Europeia – a directiva MICA. As dificuldades que estão a ser criadas a este tipo projectos, apenas irá acentuar o atraso estrutural que já existe em relação aos Estados Unidos.

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Luís Gomes