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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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história (com letra pequena)

Esta é uma história real, verídica, aconteceu comigo mesmo. Tinha eu uns 15 anos e um amigo chamou-me à parte para ter uma conversa. Estava desolado e eu não poderia contar a ninguém. O pai dele tinha sido preso, por desviar dinheiro do banco onde trabalhava. O filho não sabia explicar o que pai fizera e, de qualquer modo, eu não sabia nada. 

Ao fim de mais de 30 anos, ainda me lembro da fraca explicação: “ele queria devolver, tirava o dinheiro para fazer investimentos, mas não conseguiu e foi preso”. Durante todo esse tempo, além de não contar a ninguém e não parei de pensar no caso, aos poucos compreendendo, primeiro, só umas partes, e só muito mais tarde, o todo.

Mais tarde, fiquei a saber que nos anos 80 houve um par de quedas violentas na Bolsa de Valores de Lisboa e, com isso, muita gente perdeu dinheiro, alguns dinheiro que não podiam perder. Foi o caso do pai do meu amigo, que tirava o dinheiro do banco, comprava ações que pareciam não parar de subir, carregadas por uma inflação do tipo pós-pandemia, para depois as vender, devolver o saque e guardar os ganhos. Isto até ao momento em que as ações caíram e o senhor se viu sem ganhos, nem sequer para cobrir o quanto tinha tirado. Isso eu entendi bastante cedo, mas ainda não conseguia perceber como é que ninguém no banco deu por conta daquelas acções e deixaram o caso chegar àquele ponto.

Alguns anos depois, e já com alguma indignação, fiquei a saber que o maior erro do pai do meu amigo foi ter feito aquela operação sem a autorização do banco. Porque, aquilo que ele fazia não era em nada diferente do que fazem todos os bancários em todo o mundo, sem irem presos. Todos eles pegam no dinheiro dos clientes, descarregam em projetos alucinados e se correr bem eles ganham, se correr mal, não perdem. 

O detalhe do esquema ser autorizado significa duas coisas. Por um lado, que não é qualquer bancário merreca que mete a mão no pote. Este truque está reservado para a elite dos diretores e apelidos com erro ortográfico. Pelo outro lado, quando corre mal, que é quase sempre, o buraco não é assumido por ninguém que mereça e ninguém vai preso, vai tudo empurrado para o tapete das contas do Banco Central (onde é o pagador de impostos que apaga).

O que só muito mais tarde se me deu a entender, não foi tanto o como funcionaria a marosca, que até é fácil de explicar, mas como é que ninguém dá por ela e a deixam passar. Seja o estrago feito pelo pai de um amigo, ou pelo presidente do banco. É que pensando bem, se qualquer funcionário do banco tem a capacidade de pegar em dinheiro, gastar em investimentos mirabolantes, e há até alguns funcionários mais importantes que são encorajados a fazê-lo, pois tem as costas quentes pelo banco central. Quanta gente é que anda a fazer destas trapalhadas e em que montantes? 

A resposta é todos, com tudo. Ou seja, todos os bancos torram todo o dinheiro lá depositado e fazem-no de tal forma compulsiva, que já nem sabem a quantas andam. Pior, o sistema global interbancário mais não faz, do que aumentar o buraco e assobiar para o lado.

História (com letra grande)

Vamos regressar ao presente, a Rússia invadiu a Ucrânia e os Estados Unidos disseram que não iriam excluir a Rússia do sistema Swift, por causa das sanções. O que é que isto tem a ver? Tudo. Mas precisa ser explicado. 

Primeiro, o que é o Swift. Um sistema global, dito de pagamentos, entre bancos internacionais, controlado pelos EUA e usado diariamente por milhões de pessoas para mandar dinheiro do ponto A ao ponto B, em apenas 3 dias com uns fees animais, que fazem o Bitcoin parecer instantâneo e o Ethereum de graça.

Importa destacar que o sistema Swift, como quase tudo na banca, funciona bem ao contrário do desejável. No caso, o Swift não faz pagamentos, o dinheiro não passa de um banco para o outro. O Swift funciona com base em contas Vostro/Nostro, dívidas. Ou seja, valores que os bancos, cavalheirescamente, devem uns aos outros. Na última estimativa que alguém se atreveu a fazer, lá em 2015, estas contas, dívidas interbancárias, somavam 25 trilhões de dólares. Quase metade do PIB de todo o mundo). Isto foi em 2015, desde então, os juros foram para zero e os bancos centrais duplicaram a quantidade de dinheiro que deram aos bancos. 

O Swift substitui-se a um blockchain, sem ter nenhuma das qualidades: não é auditável, não há consenso, não há confirmação dos fundos, não há sequer fundos e a qualquer momento uma pessoa pode ali entrar e decidir que o dinheiro enviado não é para ser pago, só porque lhe apetece.

A facilidade em manipular o Swift, tem servido de ameaça para todos os pequenos agentes do sistema bancário. Ou obedecem ao grande satã americano, ou ficam com as contas congeladas. Bem como se verificou no Canadá, onde uma manifestação legítima e pacífica dos camionistas foi abafada por sucessivas vagas de confiscação bancária.

A mesma dor dos camionistas, também se aplica a um pequeno banco, que não tem condições de continuar a operar se for excluído do sistema Swift, impossibilitado que está, de mandar e receber dinheiro de outros lugares. Não lhe resta senão obedecer. Mas, quando a escala aumenta, é que o caso se torna interessante. Afinal, porque é que com tanta necessidade de impor sanções à Rússia, a primeiríssima coisa que o presidente dos EUA informou é que não havia acordo para excluir a Rússia do SWIFT. Ora, por causa do haircut da dívida.

Putin, feito Dalila, cortou o cabelo às sanções e estas ficaram sem forças. A Europa precisa do gás russo e precisa do Swift para o pagar e pior, se a Rússia for excluída do Swift quem tem mais a perder são os bancos ocidentais. Precisamente por causa da outra história.

Epilogo

Eis os dois lados da mesma moeda:

  • Por um lado, os bancários pegam no dinheiro dos clientes e gastam em porcarias, se fazem isso a pequena escala até vão presos, mas se fizerem em grande, levam um bónus e um bail-out.
  • Por outro, os sistemas interbancários, como o Swift, fazem dívida e não fazem a menor ideia de quem, de quanto, nem de como, controlar o dinheiro que por ali anda.

Junta-se a fome à vontade de comer. Os bancos fazem pagamentos bilionários uns aos outros sem terem isso em caixa. E o Swift vai alimentando a conta corrente, com dívidas crescentes, para todos os lados. 

Consta, nos fundos da internet, que os bancos europeus têm em contas vostro/nostro russas centenas de bilhões de euros. Muito dinheiro, que nunca mais apareceria se a Rússia fosse excluída do Swift. Com a dificuldade adicional de que a Europa precisa de pagar mais gás. 

Moral da história (não importa o tamanho da letra)

É por estas que bem se vê o valor do blockchain. Com um blockchain, o pai do meu amigo não iria preso, o Swift não acordava com as sanções de cabelo cortado e, talvez, a Rússia não invadisse a Ucrânia. É como se costuma dizer: o Bitcoin resolve isto.

Destaques Autor
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Henrique Agostinho