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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Mito: O Bitcoin é um perigo para os governos, quiçá até para o ambiente, razão pela qual mais cedo ou mais tarde será proibido. Já o Blockchain não tanto, pois é uma inovação que tem muitas outras utilizações.

Realidade: A principal vantagem da tecnologia Blockchain é dispensar o governo.

O que é bom por si só, não só porque os governos são uns empecilhos ineficientes, caros e manhosos, como nem sequer chegam aos lugares mesmo perigosos, onde fazia falta ter alguma coisa como um governo, mas em bom.

Ora, essa coisa que é tipo a burocracia do governo, mas em bom, é tão só o Blockchain, pois o Blockchain serve precisamente para fazer todas essas coisas que o governo precisa fazer e também não serve para muito mais. Que coisas?

Bem, apesar dos governos se meterem, à bruta, a fazer, e mal, todo o tipo de trapalhadas para as quais não são chamados, há actividades que, até ao dia de ontem, não havia como dispensar a burocracia do governo, ou uma Igreja, para funcionarem. A saber, os governos eram necessários como a entidade de referência para guardar informação e burocracia é a forma como os governos executam essa função.

Não é por acaso que até há muito pouco tempo era a Igreja que servia de notário, registando nascimentos, casamentos, óbitos e tal. Essa função só foi absorvida pelo Estado, há bem poucos anos, bem depois desse caminho, do padre para o político, ter sido feito pelo registro de propriedades, a validação de contratos, ou o controle do dinheiro. É que essas são as tais funções principais para que serve o Blockchain e, por extensão, precisavam de um governo.

Para isto fazer sentido, convém saber o que é um Blockchain e então aqui vai: O Blockchain é uma base de dados descentralizada e segura. Pronto. Mas então porque raio é que isso haveria de ser importante? Porque, até agora, até o profeta místico Satoshi Nakamoto ter inventado o Blockchain, descentralizada e segura eram duas qualidades incompatíveis entre si numa base de dados.

Uma base de dados, e muita coisa é uma base de dados, desde o caderninho com números de telefone de antes dos telemóveis, até à lista de compras que levamos para o supermercado, passando pelo registro dos milhões de pagamentos com cartões Visa ou os imensos arquivos dos tribunais, as bases de dados eram todas ou centralizadas ou inseguras. 

Seguras significa que a informação não anda a ser alterada por qualquer doido, com vontade de adulterar a realidade. Já centralizadas significa depender da boa vontade de uma pessoa ou conjunto de pessoas, bem coordenadas, que reservam o acesso a alterar o que está registado na base de dados. Ora, o problema desta escolha é que não há forma certa de evitar que a tal pessoa que centraliza o acesso à informação não é o próprio do doido que quer alterar a realidade. Entra o governo.

Um governo é então uma forma arcaica, altamente rebuscada e super cara, de tentar que as pessoas que centralizam o acesso às bases de dados mais importantes (saber quem tem o dinheiro, por exemplo), não são completamente doidos. Na inevitabilidade de ter de haver alguém central a controlar as bases de dados fundamentais, deu-se aos governos esse poder e depois tentou-se limitar esse poder dos governos, com constituições e direitos e separações e equilíbrio de poderes. Coisa que, volta e meia, não funciona como o esperado e desanda em corrupção e ou tirania.

Posto isto, um Blockchain é então a tal base de dados descentralizada, quer dizer, que ninguém em particular controla especialmente, onde todas as pessoas têm igual acesso e ainda por cima, por artes criptográficas, é também segura. Segurança que garante, que ninguém consegue alterar, não dá para aldrabar, não se pode maltratar os dados para estes confessarem o que não for verdade.

A utilidade do Blockchain é tão só registar, de forma menos cara e eficaz, aquelas informações que era preciso um governo mais a sua burocracia para certificar: Os notários, os cartórios, registros de propriedades, os registros de contratos, a quantidade do dinheiro.

Por outro lado, um Blockchain é uma solução demasiado lenta e cara para assegurar bases dados que qualquer um poderia guardar, tipo: Os nomes dos clientes de uma empresa, fotografias de gatos numa rede social, notas de exames numa escola. De modo geral: se as informações são originadas por uma só fonte, não há vantagem, bem pelo contrário, em descentralizar o acesso, estaria a adicionar complexidade e custos desnecessários.

Pois que, o Blockchain é mais caro e mais lento do que uma simples base de dados centralizada. Só faz sentido incorrer nesse extra custo, se as várias pessoas que acessam a informação tiverem sérias razões para desconfiar umas das outras. Situações para as quais, até agora, era preciso um governo. Contando porém que não há de haver nada mais caro e lento que um governo.

A piorar o caso, os governos têm outro defeito, para além da lentidão e do custo disparatado. São péssimos a aceitar novidades, especialmente se a inovação cortar custos ou tachos. Vai daí, todas as coisas maravilhosas que poderiam ser melhor feitas com um blockchain (tipo, sistema monetário, trade finance, notários, cartórios, validação de contratos, cobranças, etc) vão persistir a ser feitas, de forma arcaica esbanjadora, pelo Estado. Enquanto isso, os governos irão continuar a insistir na burocracia, resistir ao Blockchain, geralmente alegando argumentos disparatados, mas, no fundo, com medo de perderem o poder instalado

Leitura complementar: The Mystery of Capital: Why Capitalism Triumphs in the West and Fails Everywhere Else [Hernando De Soto]

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Henrique Agostinho