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Luís Gomes
Luís Gomes
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Cheira a fim de festa! Na data em que escrevo, registam-se novamente quedas expressivas. O Bitcoin encontra-se em risco de perder o importante suporte situado nos 19 500 USD (ver Figura 1), depois de ter corrigido mais de 70% em relação ao máximo histórico (67,5 mil USD).

De acordo com os analistas técnicos, o S&P 500 iniciou uma tendência descendente, em virtude de ter corrigido mais de 20% desde o máximo histórico ocorrido no início do ano, em torno dos 4 800 pontos.

As principais matérias-primas energéticas, como o Petróleo e o Gás Natural, estão a corrigir cerca de 30%, depois de terem estado a cotar em máximos de muitos anos. No presente ano, quando atingiu um máximo de 124 USD por barril, algo nunca visto desde 2008, o Petróleo subia 64% (124 vs. 75); agora, sobe “apenas” 46% (124 vs. 75)! No caso do Gás Natural, em 2022, quando registou um máximo nos 9,32 USD por MMBtu, subia 150%; agora, sobe “apenas” 65%!

Todos os sistemas monetários fiat têm este fim. A impressão massiva de dinheiro gera inevitavelmente inflação, destruindo a poupança e redistribuindo a riqueza produzida a favor de uma minoria privilegiada – a que está próxima da impressora de dinheiro.

Durante os últimos 12 anos, os Bancos Centrais decidiram adquirir activos financeiros nos mercados por contrapartida da emissão massiva de dinheiro. Para disfarçar aquilo que não é mais do que uma impressora de notas a trabalhar incessantemente, os seus programas de estímulos monetários foram designados por nomes pomposos e indecifráveis: “Afrouxo Monetário Quantitativo” (Quantitative Easing).

Qual o resultado? A inflação de vários activos: acções, obrigações, criptomoedas, carros de luxo, arte e, em particular, casas. Não há ninguém que não comente o seguinte: “a minha casa já vale mais x% desde que a comprei”; não compreendendo que o dinheiro que carrega no bolso é que vale cada vez menos.

Na Figura 2, podemos ver que o índice S&P 500 praticamente seguiu a evolução do balanço da Reserva Federal – o Banco Central norte-americano – desde o início de 2009. Em 2020, quando forçaram a população a fechar-se em casa, decidiram imprimir 4 biliões de USD; novamente, o índice voltou a subir de forma espectacular, até que apareceu o discurso: “a inflação que estamos a ver é um fenómeno temporário”; seguidamente, “o pico deste fenómeno está próximo”; há semanas, a “inflação é sério problema”; entretanto, “chegámos ao fim da era da inflação baixa”.

Com a subida da inflação, a Reserva Federal anunciou-nos enormes subidas nas taxas de juro: 0,75%, algo sem precedentes! A taxa de financiamento ao sistema bancário situa-se agora entre 1,5% e 1,75%, enquanto a inflação oficial encontra-se em torno de 10%. No seu perfeito juízo, alguém espera que tais subidas possam combater a inflação? Obviamente que não, pois deveriam estar acima dos 10%, gerando o completo colapso da economia ocidental, completamente mergulhada em dívidas.

Em paralelo, prometeram-nos que a impressora de notas ia abrandar de velocidade. Com estes dois movimentos, o mercado de dívida entrou em colapso, atendendo que o único comprador, o Banco Central, tinha desaparecido.

No mercado secundário, em poucas sessões, a taxa de juro implícita das obrigações norte-americanas com maturidade a 10 anos subiu 50 pontos base, de 3% para 3,5%; na Europa, os PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) viram as taxas de juro subir de forma descontrolada, com a Grécia e Itália, os dois países mais endividados da Europa, a registarem taxas de juro superiores a 4%, fazendo regressar o fantasma da crise de dívida soberana vivida há uma década.

Neste contexto, a senhora Lagarde, a presidente do Banco Central europeu (BCE), convocou uma reunião de emergência, para uns dias depois anunciar um novo instrumento: ”Anti-Fragmentação”. Como sempre, podia ter-nos dito que ia imprimir dinheiro e comprar as obrigações dos estados em apuros, continuando a garantir mais inflação.

Nestas coisas, como sempre, a Reserva Federal é mais sofisticada que os demais Bancos Centrais. Utiliza o mercado overnight de compra com acordo de revenda para continuar a imprimir dinheiro e a comprar obrigações do estado federal norte-americano, garantido mais inflação.

Como funciona? A Reserva Federal emite dinheiro e compra obrigações a um banco comercial, com o compromisso de as vender no dia seguinte a um preço superior, cobrando juros por este financiamento. Acontece que no dia seguinte, depois de as vender, volta a comprar não só as mesmas obrigações mas mais obrigações, sem cessar, permitindo-lhe não registar estas compras – atendendo que têm um acordo de revenda – no seu balanço. Um verdadeiro truque de prestidigitação, tal como vemos na Figura 3. A coisa já vai em 2,3 biliões de USD (12 zeros!).

Só assim ocorreu um verdadeiro Milagre de Fátima nos últimos dias: a taxa de juro implícita das obrigações norte-americanas com maturidade a 10 anos voltou abaixo dos 3%; no caso de Portugal, desceu de 3,1% para 2,4% em poucas sessões. Podemos imaginar quem foram os compradores. Uma certeza existe: os Bancos Centrais vão continuar a imprimir sem cessar, garantido mais inflação, até à destruição total do actual sistema monetário.

Por esta razão, o Bitcoin apresenta-se como a única alternativa credível ao presente sistema monetário, que se encontra em agonia e a viver os seus últimos dias. E porquê?

Em primeiro lugar, o seu valor foi determinado pelo mercado, pela livre interacção entre a oferta e a procura existente; sem quaisquer estímulos ou manipulação de preços. Toda a sua concepção foi obra de privados, não existiu qualquer burocrata ou político a determinar a sua arquitectura ou regras. Uma obra do livre mercado.

Por outro lado, veio terminar um monopólio bancário que existia há décadas: as transferências de dinheiro entre bancos, em particular as transferências internacionais que obrigavam à existência de bancos correspondentes. Hoje, graças à tecnologia Blockchain e Lightning Network é possível transferir Bitcoins em total segurança e entre dois endereços, independentemente do país ou fronteira, a uma velocidade superior às redes Visa e Mastercard.

A tecnologia blockchain, tal como expliquei em anterior artigo, elimina a prática de reservas fraccionadas, precisamente a origem das crises financeiras que recorrentemente vivemos, pois qualquer pessoa com uma ligação à Internet pode consultar a quantidade de Bitcoins existente num dado endereço, sem qualquer espécie de manipulação ou malabarismos.

A sua oferta está limitada a 21 milhões de Bitcoins; não existe a possibilidade de imprimir mais, por mais pressão que exista para a impressora ajudar a vencer eleições, a pagar confinados a ver Netflix em casa, a pagar subsídios e programas de “resiliência”.

A deflação a longo prazo será uma realidade: mais serviços e produtos para a mesma quantidade de moeda, tal como aconteceu no século no século XIX, em que se registou a maior subida do nível de vida das populações do mundo ocidental, durante a vigência do padrão-ouro.

Atendendo a esta restrição, impossibilidade de imprimir mais Bitcoins, voltaria a existir incentivos à poupança, algo que hoje não acontece. As pessoas adquirem o Bitcoin na esperança que a longo prazo adquira mais bens e serviços, pois não haverá uma impressora de notas e juros 0% a confiscar-lhe as poupanças.

Por último, e talvez o aspecto mais importante: a enorme quantidade de custos que deixaria de existir. FMI, Banco Mundial e Bancos Centrais seriam dispensáveis. Quanta gente voltaria a dedicar-se a produzir bens e serviços necessários à satisfação de necessidades humanas, em lugar de policiar, inspeccionar e supervisionar.

A enorme segurança da tecnologia blockchain dispensaria por completo a sua existência: deixariam de vigiar o balanço dos bancos; deixariam de determinar as taxas de juro, passando estas a serem determinadas no mercado; deixaríamos de andar desesperados a encontrar oportunidades de investimento que superassem a inflação, por um lado deixaria de existir – não é possível imprimir mais de 21 milhões de Bitcoin-, e por outro, os ganhos de produtividade da economia passariam a reflectir-se nos preços: mais bens e serviços e a mesma massa monetária garantiriam a descida de preços, o sonho de qualquer consumidor.

De que esperamos para realizar um funeral ao actual sistema monetário?

Destaques Autor
img:Luís Gomes

Luís Gomes

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