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Luís Gomes
Luís Gomes
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No último 21 de Maio, a Bloomberg publicou uma notícia sobre Criptomoedas, à boleia de uma entrevista à presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, por um canal de televisão holandês.
O tom da notícia é evidente: “Os comentários – da Sra. Lagarde – ocorrem no meio de tempos difíceis para os mercados de Criptomoedas, com as moedas Bitcoin e Ethereum a cair 50% em relação ao pico do ano passado.”
Dá a sensação de que quedas de 50% são uma espécie de notícia, algo nunca visto, uma espécie de cataclismo sem precedentes que se abateu sobre as Criptomoedas. Nada mais longe da verdade – ver Figura 1.
• De 17 de Setembro de 2014 (457 USD) a 14 de Janeiro de 2015 (178 USD) caiu 61%;
• De 16 de Dezembro de 2017 (19 497 USD) a 15-12-2018 (3 237 USD) caiu 83%;
• De 26 de Junho 2019 (13 016 USD) a 12 de Março de 2020 (4 971 USD) caiu 62%;
• De 13 de Abril de 2021 (63 503 USD) a 20 de Julho de 2021 (29 807 USD) caiu 53%.
Em conclusão, o pungente desabafo: “tempo difíceis”, não é mais do que lágrimas de crocodilo.

Figura 1

A protérvia não tem limites: não se conhece nenhuma economia ocidental que não tenha colocado a impressora de notas a funcionar a toda a velocidade durante 2020 e 2021, mas a Sra. Lagarde conhecia e conhece as consequências de um cenário alternativo ao adoptado – “teria sido muito pior”, informa-nos!

Figura 2

Ao contrário do que que a Sra. Lagarde imagina, já podemos tirar conclusões da sua política monetária: há mais de 4 décadas que não assistíamos a uma inflação tão elevada.
Não foi a guerra na Ucrânia Sra. Lagarde, foi a impressora do BCE, por si presidido, que provocou uma enorme subida dos preços. A população com rendimentos fixos, a mais pobre, enfrenta agora enormes subidas de preços quando se dirige a um supermercado, abastece o carro, ou recebe as contas de luz e gás em sua casa.
A Figura 3 é bem ilustrativa do que aconteceu, entre o final de 2019 e o final de Fevereiro de 2022, algumas matérias-primas chegaram a subir mais de 200%, como foi o caso da Madeira; mas temos o Gás Natural, que subiu 101%, ou o Petróleo, que subiu 57%; e os cereais que também registaram fortes subidas, com a Aveia a subir 139%, o Milho a subir 80% e o Trigo a subir 66%. A impressora da Sra. Lagarde, ao contrário dos anos anteriores a 2020, não só afectou os activos financeiros, mas também os bens de consumo da generalidade da população, que vê o seu poder de compra confiscado pela tal política salvífica da Sra. Lagarde.

Figura 3

E o que aconteceu a quem tinha investido em Criptomoedas no final de 2019? Certo, os seus retornos superaram em muito a inflação causada pela Sra. Lagarde, como podemos observar na Figura 4.
A título de exemplo, o Bitcoin subiu de 5 723 Euros, a 31 de Dezembro de 2019, para 24 712 Euros no final da sessão de 24 de Maio de 2022, uma subida de 332%, já após as fatídicas quedas “lamentadas” como “tempos difíceis” pela Bloomberg.

Figura 4

Na mesma entrevista, afirmou que as criptomoedas “não valem nada, baseiam-se em nada, não há nenhum activo subjacente que sirva de âncora de segurança”. Então e o Euro, está ancorado a quê? A nada, basta pressionar o botão do computador do BCE e o dinheiro aparece por magia.
Apesar de tudo, o processo é mais sofisticado que no Zimbabué, onde Robert Mugabe pagava religiosamente aos funcionários públicos; como? Ordenava que o banco central imprimisse notas e com estas pagava os salários; seguidamente, os funcionários públicos saíam à rua e desatavam a comprar, gerando a subida de preços, notas não faltavam! Os preços subiam e os funcionários públicos berravam por mais; solução? Colocava-se a rotativa a funcionar com mais velocidade, um ciclo vicioso que terminou em hiperinflação.
Aqui a coisa é mais sofisticada, é feita ao abrigo de um qualquer programa de estímulos, tudo em nome do bem comum. De forma simplista, como funciona:
• O governo necessita de dinheiro; para isso, emite obrigações, títulos de dívida;
• Para se realizarem propostas de compra por essas obrigações, o estado organiza um leilão, onde apenas os bancos comerciais podem participar;
• Vamos imaginar que após a realização do leilão, apura-se um preço de 100 Euros por obrigação, com um cupão anual de 10 euros (juros), ou seja, um juro implícito de 10% (10 ÷ 100);
• Para procederem à compra das obrigações, os bancos solicitam um empréstimo ao BCE, vamos imaginar de 1000 Euros – foram vendidas 10 obrigações;
• Seguidamente, ao abrigo de um programa de estímulos, o BCE decide comprar essas obrigações aos bancos no mercado secundário; ou seja, por essa razão os bancos comerciais compram toda a dívida pública, pois já que sabem que existe um comprador com notas de monopólio disposto a comprar tudo – é garantido, nunca falha;
• O BCE emite “dinheiro do ar”, ou seja, credita reservas aos bancos comerciais e adquire essas obrigações, obviamente com lucro para os bancos. Vamos imaginar que as compra por 200 Euros – não nos podemos esquecer que para a Sra. Lagarde dinheiro não é um problema; desta forma, o juro implícito passa a ser 5% (5÷200). Por isso, nos últimos anos as taxas de financiamento do estado português não pararam de descer, era “o milagre dos mercados”. Os bancos podem assim amortizar a dívida e embolsar 1000 Euros;
• Com as obrigações no seu balanço, o BCE distribui essas obrigações pelas suas filiais, por exemplo, as obrigações emitidas pelo estado português vão parar à sua filial em Portugal, o Banco de Portugal; assim, no momento de pagar o cupão da obrigação – os juros -, é pago ao Banco de Portugal pelo Estado português, constituindo uma receita para o Banco de Portugal;
• No final, o Banco de Portugal, depois de abatidas as suas despesas,distribuiu lucros ao Estado português e paga impostos sobre esses lucros; fantástico! É uma espécie de alquimia financeira, onde a inflação gerada pelo BCE roda a favor de bancos e estado e o “patinho feio” da história é a plebe que tem de suportar preços mais elevados.
O Bitcoin funciona completamente ao contrário, a sua emissão obriga a um enorme consumo de energia, é assim que funciona o processo de mineração. Não resulta do aperto de um botão do computador por um qualquer funcionário do BCE.
Por outro lado, se desejo comprar um Bitcoin tenho de o pagar com poupanças, fruto do meu esforço, caso contrário, será impossível obtê-lo. O mesmo não acontece com os emitentes destas fantásticas obrigações, basta emiti-las e aparece uma entidade com dinheiro de monopólio para as comprar, é tão fácil! Até o clima agradece.
Estranhamos que a Sra. Lagarde não nos tenha explicado o enorme esquema em pirâmide que é hoje o BCE. Vamos analisar a sua situação financeira. No final de 2021, as contas do BCE informavam-nos do seguinte:
• Activos totais: 8,6 biliões de Euros (12 zeros), dos quais 4,9 biliões, investidos em activos financeiros – obrigações dos diferentes estados da zona Euro -, e 2,2 biliões em empréstimos aos bancos comerciais da zona Euro;
• Capitais próprios: 0,109 biliões de Euros, ou seja, apenas 1,3% dos activos totais.
Para simplificar a coisa: seria o mesmo que o leitor constituísse uma empresa com 1300 Euros e pedisse ao banco 98 700 euros. Com os 100 mil euros decide comprar uma loja de rua. Esta é a situação do BCE, o capital representa apenas 1,3% dos activos, uma alavancagem financeira de 78 vezes (100÷1,3), algo que um investidor particular, através de CFDs – um produto financeiro regulado -, está proibido de fazer pela ESMA, o regulador europeu dos valores mobiliários.
Para explicar melhor: se as perdas forem de 2%, as perdas para os accionistas serão de 156% (78 vezes os 2%). Voltando ao nosso exemplo, se a loja de rua desvalorizar 2%, passando a valer 98 mil Euros, significa que a perda para o accionista é de 156% (2000 ÷ 1300) aproximadamente, além disso a sociedade está falida, pois a loja não permite pagar as dívidas: 98 000 < 98 700!
É esta a instituição que se arroga de afirmar o seguinte: “O dia em que tivermos a moeda digital do banco central, um euro digital, garanto que o banco central estará por trás dela e penso que será muito diferente”. Julgamos que a diferença é em relação às Criptomoedas. A segurança do tal Euro Digital assenta em dívida pública de estados falidos, o tal activo subjacente de que Christine Lagarde nos fala.
Ainda teve tempo para o “chavão” do risco das Criptomoedas, as pessoas “não percebem os riscos” do investimento em Criptomoedas. Bastará à Sra. Lagarde percorrer as páginas web de corretoras de valores devidamente autorizadas, onde são comercializados produtos de risco, como os CFDs, onde aparece o seguinte aviso: “82% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor”.
Apesar destas corretoras realizarem milhares de perguntas e testes aos seus clientes, de os avisarem de uma panóplia de riscos, temos estes resultados com produtos regulados; apesar disso, a Sra. Lagarde diz que “devem ser reguladas”. Continuamos a ser tratados pela Sra. Lagarde como criancinhas, incapazes de compreender o risco associado às Criptomoedas: obviamente que estas são altamente voláteis, devendo apenas investir-se o dinheiro que se pode perder, uma pequena fracção do património financeiro de cada um.
Por fim, referiu-nos que o seu filho investiu em Criptomoedas, não seguindo o seu conselho. Talvez tenha sido a única pessoa sensata. Se o fez há uns anos, pôde preservar o seu poder aquisitivo, ao contrário das pessoas que deixaram o seu dinheiro no banco a ser confiscado pela inflação da Sra. Lagarde. Importa ter em conta que as Criptomoedas vieram para ficar, como qualquer projecto terá os seus altos e baixos, por mais ataques que sofram.

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Luís Gomes

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