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Luís Gomes
Luís Gomes
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Na sua última previsão económica, a Comissão Europeia alertou que a economia da União Europeia, bem como a Zona Euro, pode sofrer uma forte desaceleração económica no próximo ano. 

Como podemos observar na Figura 1, a Comissão Europeia até prevê uma recessão económica para a Alemanha, a Suécia e a Letónia no próximo ano; tal não irá acontecer com os restantes países, no entanto, a desaceleração é expressiva: a Zona Euro passará de 3,2% para 0,3%, a União Europeia de 3,3% para 0,3% e Portugal de 6,6% para 0,7%.

Figura 1

Uma pergunta fica no ar? A desaceleração e mesmo a recessão económica em alguns países no próximo ano – para mim, será bem mais profunda do que o estimado pela Comissão Europeia – resulta do fim de uma política monetária laxista, onde ocorreu uma expansão da massa monetária sem precedentes e prática de juros 0% e negativos, durante vários anos? A minha resposta é Sim, irei seguidamente explicar porquê.

Impacto das moedas fiduciárias no crescimento económico

Será que o sistema de moedas fiduciárias, de curso legal forçado, onde a emissão é um monopólio do Banco Central, sem respaldo em qualquer matéria-prima, como o Ouro ou Prata, tem impacto efectivo no crescimento económico? 

Segundo a “educação oficial”, a política monetária dos Bancos Centrais serve não só para atenuar os ciclos económicos do capitalismo, mas também evitar a ocorrência de recessões económicas. 

Tal como afirmava a Sra. Lagarde, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), em Março de 2020, em pleno início da crise Covid-19: “Tempos extraordinários requerem acções extraordinárias”; Será mesmo assim? Serão assim tão benéficos tais estímulos.

Para responder às várias perguntas sobreditas, importa esclarecer como se processa a emissão de dinheiro no actual sistema financeiro. Irei socorrer-me de um simples exemplo por forma a ilustrá-lo.

Vamos supor um banqueiro na Idade Média, onde o dinheiro é Ouro; quando este recebe depósitos de clientes, entrega-lhes certificados de depósito com um valor facial de 1 Kg. Ou seja, se um dado cliente deposita 1 Kg, irá receber 1 certificado de depósito. Em qualquer momento, os clientes podem exigir a conversão dos seus certificados em Ouro, bastando apresentá-los nos balcões da instituição bancária.

Se toda a comunidade confiar no banqueiro, com o tempo, estes certificados tornam-se substitutos do dinheiro, no nosso exemplo: Ouro; ou seja, em lugar de ir a um balcão e converter os certificados, as pessoas passam a utilizá-los nos mercados, realizando compras e vendas. Em resumo, a comunidade passa a considerar os certificados de depósito como substitutos do dinheiro, aceitando que têm o mesmo valor, pois confiam que se trata da mesma coisa.

O banqueiro, ao compreender a confiança da comunidade, também se dá conta que apenas 10% dos seus clientes solicita a conversão dos certificados em Ouro; eis que lhe surge uma ideia genial: “se um cliente solicitar um empréstimo, bastar-me-á imprimir certificados e não terei custos? Para tal prática, o nosso banqueiro terá de gastar dinheiro apenas em papel, tinta e carimbo, risível face aos lucros proporcionados.

Esta é uma forma de criação de dinheiro: emissão de dívida por contrapartida da produção de dinheiro.

Supondo que numa fase inicial o banqueiro tem 100 Kg de Ouro dos seus clientes e 100 certificados de depósito emitidos. Através da ideia que lhe surgiu, denominada reservas fraccionadas, pode ter 1.000 certificados emitidos e apenas 100 Kg de Ouro, não havendo qualquer problema, pois, no máximo, apenas 10% dos clientes irá aparecer a solicitar a conversão dos certificados em Ouro. 

Em resumo: o banqueiro apenas tem uma fracção, neste caso 10%, de reservas para cobrir 1000 certificados de depósito por si emitidos.

A prática de reservas fraccionadas apresenta vários aspectos negativos, importando destacar os principais: 

  • por um lado, é um método inflacionário, um confisco de propriedade privada, atendendo que permite exponenciar a massa monetária existente – cada unidade passa a ter um menor poder aquisitivo. O banqueiro, sem nada produzir para a sociedade, seja um bem ou um serviço, é remunerado por uma poupança que simplesmente não existe. Ocorre, desta forma, uma transferência de riqueza da sociedade a seu favor, o valor correspondente aos juros que irá receber;
  • por outro, como a prática de reservas fraccionadas não implica qualquer custo para o banqueiro, há um aumento de crédito disponível para a sociedade, incrementando falsamente a oferta de crédito e movendo, no sentido descendente, a taxa de juro dos empréstimos. Em lugar de resultar da procura e oferta de poupança, vamos supor 8%, a taxa será menor, pois o montante de crédito que é possível conceder multiplica-se por 10, havendo maior oferta para a mesma procura, provocando a inexorável redução da taxa de juro.

Actualmente, quase toda a produção de dinheiro é realizada desta forma através dos bancos comerciais, pois as notas e moedas emitidas pelo BCE têm pouca relevância no total da massa monetária existente. Podem conceder crédito apenas com uma pequena fracção de reservas – notas e moedas na sua posse e depósitos junto do Banco Central.

Por esta razão, diz-se que é um sistema baseado na confiança; no entanto, se todos os depositantes acorrerem a um dado banco, não existem em caso algum reservas suficientes – longe disso – para satisfazer os pedidos de conversão dos depósitos em notas e moedas. 

Assim, se o regulador exigir apenas 10% em reservas, significa que um dado banco com reservas de 100 milhões de Euros poderá conceder crédito até 1.000 milhões de Euros, emitindo, para tal, novo dinheiro no mesmo montante – criando um saldo positivo nos extractos dos clientes.

De que forma o Banco Central pode influenciar a quantidade de reservas nos bancos comerciais? Vamos adoptar um cenário de subida de reservas, pois a queda é o processo inverso:

  • Concedendo empréstimos aos bancos comerciais a taxas de juro inferiores, diminuindo o custo do dinheiro e fomentando a procura por crédito;
  • Comprando valores mobiliários aos bancos comerciais no mercado secundário, por exemplo, obrigações soberanas, creditando a conta de reservas dos bancos comerciais para o pagamento dos títulos.

Recordemo-nos que os bancos comerciais, através da prática de reservas fraccionadas, podem multiplicar por diversas vezes a quantidade de dinheiro na economia em face das reservas que dispõem. Importa igualmente ter em conta que os Bancos Centrais podem criar reservas ilimitadas, isto é, sem qualquer controlo, de forma totalmente arbitrária e sem quaisquer custos – basta apertar um botão. Aliás, é precisamente a sua política há décadas: inflação sem fim!

Se observarmos a Figura 2, podemos constatar que desde 2008 tivemos 8 anos – Junho de 2014 a Junho de 2022- de taxas de juros negativas para os depósitos realizados pelos bancos comerciais junto do BCE. Talvez explique por que razão os aforradores foram tão mal tratados durante estes anos e nunca existisse uma verdadeira StableCoin em Euros, pois um excesso de liquidez depositado no BCE implicava o pagamento de juros!

Figura 2

Também tivemos 6 anos e 4 meses – entre Março de 2016 e Junho de 2022 – taxas de juro 0% para os bancos que solicitavam empréstimos ao BCE; ou seja, os bancos solicitavam empréstimos sem qualquer custo!

A “gasolina atirada à inflação” não resultou apenas da manipulação da taxa de juro, mas também da compra sem fim de colossais montantes de obrigações soberanas emitidas pelos Estados da Zona Euro. Hoje, o BCE tem 5 biliões de Euros (12 zeros) de títulos no seu balanço, cerca de um terço do PIB da Zona Euro (aproximadamente 15 biliões de Euros).

Em quase três anos, estas compras fizeram expandir o balanço do BCE, por contrapartida do aumento de reservas do sistema bancário, em 3,8 biliões de Euros, tal como podemos observar na Figura 3.

Figura 3

Qual foi o resultado de tudo isto? 

Uma inflação como não se vivia há mais de 30 anos, em que apenas num ano a inflação da Zona Euro passou de 2,6%, em 2021, para 8,5% em 2022. Ao contrário do que nos querem vender, a inflação não é a subida de um índice de preços representativa de um cabaz de compras, mas sim a subida da quantidade de dinheiro existente. 

Até ao início de 2021, o dinheiro criado foi dirigido para os mercados de capitais, provocando a subida exponencial da cotação de muitas empresas listadas em bolsa, em particular as grandes multinacionais norte-americanas: veja-se o caso da Tesla, que desde o final de 2019 ao máximo ocorrido a 4 de Novembro de 2021 subiu 1370%. Seguidamente, essa inflação “espirrou” para os bens essenciais, provocando, desta vez, a subida do índice de preços, sentindo-se o seu impacto a partir de 2021.

Tranferência de riqueza

Ou seja, a inflação beneficia os mais ricos, os que estão próximos da emissão do “novo dinheiro”; e prejudica os mais desfavoráveis, pois têm rendimentos fixos que proporcionam um poder aquisitivo decrescente. No fundo, esta política monetária não é mais que um processo de transferência de riqueza dos pobres para os ricos. Nos últimos anos, estes últimos viram as suas casas, as suas colecções de carros antigos, as suas acções subirem de forma exponencial.

Erros na avaliação de investimentos

Para além da transferência de riqueza, outro processo perverso tem lugar: maus investimentos. Quando os Bancos Centrais manipulam as taxas de juro no sentido descendente, ou seja, abaixo do preço que resultaria da interacção da oferta e procura por aforro – o crédito por emissão de dinheiro não é oferta de aforro -, os empresários cometem erros na avaliação de projectos de investimento

Vamos imaginar um empresário que investe “à cabeça” 150 mil Euros num projecto de investimento, prevendo fluxos de tesouraria para os próximos 9 anos, terminando a gerar caixa positiva em cerca de 130 mil Euros – ver Figura 4.

Figura 4

Se o empresário os descontar a 10% não deverá realizar o projecto; no entanto, a 0,5% já justifica realizá-lo, pois obtém um valor actual de +32 mil Euros. Esta enorme distorção das taxas de juro provocou investimentos desastrosos ao longo de anos e anos, que será necessário extirpar nos próximos anos. Uma subida das taxas de juro será como a maré a descer: muitos irão descobrir que não trazem fato-de-banho.

A recessão que se avizinha

A enorme recessão económica que se avizinha não é mais que a tentativa do mercado em corrigir todos os erros praticados durante anos; como sempre, prejudicando os mais pobres, que irão certamente perder o emprego, caso subam em flexa o número de falências. 

Em conclusão, necessitamos de um sistema monetário não dependente de planeadores centrais, com o livre arbítrio de gerarem inflação sem limites, justificando as sua acções como “estímulos monetários” e “resgates salvíficos da economia”.

O Bitcoin é a solução de tudo isto. O crescimento da sua oferta não está controlado por nenhum burocrata, dependendo exclusivamente de um algoritmo e limitada a 21 milhões – como podemos ver na Figura 5, encontra-se agora em 19,2 milhões de Bitcoins. 

Por outro lado, a inflação – crescimento anualizado da oferta – é decrescente e encontra-se agora em 1,65% e a caminho do 0% quando alcançar os 21 milhões.

Figura 5

Por outro lado, a não ser que as pessoas confiem em entidades centralizadas, como a FTX, onde é possível ter um valor agregado de extractos muito superior aos activos na sua posse, é impossível realizar a prática de reservas fraccionadas com a tecnologia blockchain: o valor agregado dos Bitcoins existentes em carteiras de criptomoedas corresponde à oferta total.

Ocorre exactamente o contrário com o sistema fiduciário, como o Euro. Na Figura 6, podemos constatar que o crescimento da oferta de Euros, neste caso o agregado M3, é errática e muito elevada; em Março de 2020, o crescimento anualizado foi próximo de 40% – é surpreendente que as pessoas fiquem perplexas com a enorme inflação que estamos a viver, pois não as devia espantar.

Figura 6

A título de conclusão, 2023 deverá ter lugar uma enorme recessão económica que irá certamente “limpar” muitos erros de investimento realizados durante anos a fio, fruto da inflação e manipulação das taxas de juro. Apenas o Bitcoin é a solução, pois permite retirar o enorme poder que os Bancos Centrais hoje desfrutam e introduzir seriedade no sistema financeiro.

Destaques Autor
img:Luís Gomes

Luís Gomes