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Henrique Agostinho
Henrique Agostinho
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Esperar pela retomada da economia, que foi parada pelos lockdowns e sanções, como se bastasse pressionar um botão e voltar a ligar, é um erro. Tudo o que antes parou, está partido, como um ovo, e só volta a funcionar se for construído de novo. Em alguns casos, essa nova construção pode até estar algo facilitada. No meio dos cacos do que sobrou, pode-se ainda encontrar alguns pedaços fáceis de montar, mas é pouco provável, o que se explica entendendo o que é Capital.

Capital é o factor essencial para acrescentar valor numa produção, para prosperar. O Capital é a combinação do conhecimento acumulado, com o valor poupado, destinado a multiplicar o valor da produção. Usando um exemplo simples: Um agricultor, com um trator, pode produzir batatas, e, se as conseguir vender, prosperar. Agricultor é o trabalho, Trator é a poupança, Batatas é a produção, a receita da venda das batatas menos os custos aplicados é o valor criado, o lucro. Quanto maior o valor criado, maior o Capital existente. 

As coisas, não só as batatas ou o Bitcoin, todas as coisas, têm valor económico na exata medida em que alguém as quer comprar. E o Capital, a capacidade para gerar valor, está quase todo ele concentrado na capacidade de acertar no quanto será vendido e a que preço, gastando menos do que isso para produzir. Quem faz bem essa previsão, tem lucro e prospera, quem falha, perdeu, empobreceu.

Ora, com a economia parada, por decreto, o tal Agricultor deixou guardado boa parte dos seus fatores de produção, tem o seu trator, o terreno, o conhecimento de como se faz batatas, mas falta-lhe o essencial. Não faz ideia de quem irá comprar ou a que preço. Irá sempre haver gente a querer comer batatas, especialmente depois de fritas, mas como é que o agricultor, que até ao dia de anteontem tinha a cadeia de valor das batatas bem oleada por anos de prática, vai agora descobrir, do dia para a noite, onde estão os novos consumidores? Pois não vai. Vai ter ir outra vez à procura, renegociar, descobrir o preço adequado, criar toda uma nova rede de compradores e distribuidores e cozinhadores e saber os preços associados, tudo isso só para repor as batatas de volta nos pratos e o dinheiro na caixa.

Num primeiro momento da pandemia, todas as apostas produtivas foram destruídas pela proibição de trabalhar. Uma vez reaberto, é necessário reinventar, descobrir tudo outra vez. É certo que há praí bastantes tratores guardados e gente muito apta a fazer batatas, mas e a vender? A quem? Como é que vai ser? Nas primeiras lojas que reabriram, não havia clientes, mais valia continuarem fechadas. Todas as lojas que fecharam, todos os escritórios que foram esvaziados, todas as máquinas que pararam, deixaram de ser produtivos. Viraram poupança mal aplicada.

Para voltarem a produzir, não lhes basta ligar a electricidade, é preciso descobrir, do lado de lá, quem é que vai comprar e que preço vai pagar. Um processo de descoberta, de criação de mercado, de acumulação de capital, que demora décadas a completar, e só lá vai, por tentativa e erro, muito erro. Quando de novo os aviões podem voar. Para onde irão? Para levar quem? Quando voltam? Quantos passageiros trazem? Ao parar os aviões, não se perdeu apenas as vendas do dia, perdeu-se a capacidade de prever quem é que vai voltar a viajar e o preço que quererá pagar. Destruiu-se todo o Capital das companhias aéreas, motivo pelo qual a TAP e a SATA se tornaram proverbiais poços sem fundo. 

Em conclusão: A economia não parou, partiu-se. Vai ser preciso fazer de novo e enquanto se refaz, entretanto tirará vantagem quem fizer melhor. O que representa uma rara oportunidade para introduzir inovações tecnológicas. Todas as empresas que foram obrigadas a parar precisam de reconstruir o seu capital, baixaram a guarda à concorrência de novas operações, que por uma vez, podem desenvolver os seus modelos de negócio, procurar eficiências em maior pé de igualdade com os negócios já estabelecidos. A consequência de parar tudo é, de alguma forma, acelerar o futuro.

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Henrique Agostinho

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